Câmara Federal
Isolado politicamente e denunciado no Conselho de Ética, Cunha deve perder mandato
13 de Outubro de 2015, 15h55
Acusado de ter recebido propinas de pelo menos 5 milhões de dólares de uma das empresas investigadas pela Operação Lava Jato, que apura denúncias de corrupção na estatal Petrobras, e de manter contas secretas recheadas com altos valores na Suíça e em outros países, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara Federal, foi denunciado no Conselho de Ética da Casa e deve perder o mandato.
Um dos maiores opositores do Governo Federal, Cunha está a cada dia mais isolado politicamente e foi denunciado pelo PSOL ao Conselho de Ética por conta da comprovação por parte do Ministério Público da Suíça de que abriu contas no país, em seu nome e de sua esposa, por onde passaram milhões de dólares de origem não explicada.
Anteriormente, o ainda presidente da Câmara havia sido denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) de ter recebido U$ 5 milhões em propina do empresário Júlio Camargo para facilitar o fechamento de contratos entre a Petrobras e a empresa Samsung Heavy Industries.
Líder e um dos principais porta-vozes da oposição, que pregam insistentemente o impedimento da presidente Dilma Rousseff (PT), contra quem ainda não pesa nenhuma acusação de envolvimento em casos de corrupção, Eduardo Cunha deve ser vítima do próprio veneno e ter o seu mandato cassado, devido principalmente ao fato de o MP suíço ter demonstrado por meio de documentos, que ele abriu, inclusive assinando os documentos de abertura de contas na Suíça, por onde passaram milhões de dólares, fato esse negado por Cunha em seu depoimento na CPI da Petrobras.
Como o Conselho de Ética da Câmara considera que a omissão de valores relevantes e de bens é motivo para a perda de mandato, os deputados não terão como fugir ao rito e afastar o ex todo-poderoso Cunha de seu cargo, cassando-lhe o mandato.
A denúncia contra ele protocolado no Conselho de Ética foi assinado por 38 deputados e, caso seja instaurado o Processo Investigativo, o relator do mesmo terá 90 dias para apresentar um relatório com seu parecer pela cassação ou manutenção de Cunha no cargo.
Esperamos que os deputados tenham responsabilidade e coerência em seus pareceres e votos, pois uma pessoa comprovadamente corrupta, com documentos e provas, não pode se manter à frente de um poder constituído da República, sob o risco de desmoralizar de vez a instituição política.
Vamos acompanhar...