DAS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ

Hoje citado e investigado, Maggi já foi paneleiro

por GazetaMT

13 de Abril de 2017, 08h17

Hoje citado e investigado, Maggi já foi paneleiro
Hoje citado e investigado, Maggi já foi paneleiro

Nada como um dia após o outro, é como dizem. Não faz muito tempo, os paneleiros foram às ruas...

Em verde e amarelo deu-se a toada de um carnaval promovido às custas de um momento de séria preocupação. "Vamos acabar com a corrupção", bradava o coro dos enganados. Amarga ilusão, vê-se, quase tão latente quanto a atual vergonha que lhes é agora absolutamente cabível.

Pior que a população em geral, ingenuamente tomada por um superficial anseio político à mercê do interesse de quem só fez manipular, foi a atuação oportunista de parte da classe política. Por todo o Brasil, fazer parte do circo se tornou a variação eficaz da chamada boca de urna. Outros, por representação ou conquista de território, também participaram.

Caso do atual ministro da Agricultura Blairo Maggi -PP. Em março de 2016, foi às ruas em Cuiabá. Não lembrava, nem de longe, aquele velho amigo e aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva -PT, partícipe nas decisões do governo que se manteve por 13 anos frente ao Brasil. Deve ter-se esquecido...

Quando participou dos protestos, era ainda senador o Maggi. Depois, já no (im)posto governo Temer -PMDB, chegou ao ministério da Agricultura. Iniciou os trabalhos com autonomia, peregrinação pela Ásia, consolidação de negócios... Tempos depois, porém, o trem começou a desandar. A carne é fraca.

Mais recentemente, o ministro Maggi virou "Caldo", apelido atribuído em seu nome por ex-executivos envolvidos com o departamento de propina da Odebrecht, segundo novas delações que passam a integrar a lista do ministro Edson Fachin, relator do processo da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Maggi é acusado por diretores da Odebrecht de receber R$ 12 milhões de propina para agilizar um pagamento do Governo de Mato Grosso a empreiteira. Os recursos teriam sido pagos ao ex-secretário de Fazenda, Eder Moraes, e aplicados na campanha à reeleição do então governador em 2006.

Em tempo: Além de Maggi, outros 14 políticos alvos dos delatores da Odebrecht também estiveram nas ruas em todo o país. Senadores Aécio Neves -PSDB e José Serra -PSDB, ministro Aloysio Nunes -PSDB, governador de São Paulo Geraldo Alckmin-PSDB,  ministro derrubado Romero Jucá -PMDB, deputado Paulinho da Força Sindical -SD, deputado e presidente da Câmara Rodrigo Maia -DEM, e por aí vai.

Verdade única e absoluta em toda esta história: o mundo dá voltas!