ENTREVISTA
“Este é o jeito do Zé. O da bagunça”, dispara vereador
Thiago Muniz segue junto ao grupo dos onze oposicionistas de Pátio. Número pode ficar maior na Câmara
13 de Abril de 2017, 11h07

Há 100 dias sob novo governo, o vereador reeleito pelo PPS Thiago Muniz avaliou como "bagunçada" a atual administração municipal. É de sua autoria o mais recente projeto levado à Casa de Leis, que prevê rigorosa fiscalização nas contratações feitas pelo Executivo via adesão a Atas de Registro de Preço, dispensando, assim, as licitações. "É preciso ter transparência", resume.
Muniz pertence ao chamado "grupo dos onze", bloco de oposição formado pouco antes da posse do novo prefeito e vereadores, e eleição da Mesa Diretora, no primeiro dia do ano. Conduziram o tucano Rodrigo da Zaeli -PSDB à presidência, com discurso, até segunda ordem, de harmonia junto à Pátio. Nos dias atuais, entretanto, o discurso está mudado.
E não só na oposição. Dentro da própria base, Pátio tende a perder aliados. Recentemente, os vereadores Hélio Pichioni -PSD e Vilmar Pimentel -SD, partido do prefeito. Sem fazer referência nem citar nome, Muniz alfineta. "Tenho notado descontentamento. O grupo dos onze pode se tornar maior".
Desde o início da gestão, Pátio e a Prefeitura tem aberto mão de licitações. Contratou via convênio e firmou compromissos via adesões a Atas para serviços fundamentais de competência direta e indireta do Executivo. Inclui-se, neste pacote, prestações das companhias Sanear e Coder, entre outros. Na Saúde, o contrato feito com o Consórcio Regional de Saúde, Coopervale - Cooperativa de Trabalho Vale do Teles Pires ultrapassou a casa dos R$ 53 milhões já no primeiro projeto. O convênio foi aprovado pelos vereadores na Câmara.
Aprovação estratégica, garante Muniz. "Nosso compromisso sempre foi com os aprovados no concurso público de 2016. Quando recebemos o projeto na Câmara, selamos o compromisso de votar pelo sim para que órgãos como o Ministério Público e a população em geral visse o tamanho do absurdo que estava sendo feito pelo Executivo. Deu certo e a Justiça está acompanhando esta situação", diz. A primeira tentativa de Pátio junto ao consórcio era ainda pior. Custaria mais, com renovação prevista por mais tempo. Foi derrubado, mas passou com ajustes em segunda investida.
A briga de Pátio contra os concursados segue desde janeiro, mas já com previsão de acabar. "O prefeito está ganhando uns dias, mas é certo que vai perder, é exigência do Ministério Público", afirma Muniz, em referência à atual fase de recursos impetrados pelo Executivo no processo.
Instigado a fazer um balanço sobre os primeiros meses de governo e relação Executivo x Legislativo, o vereador opina: "Uma bagunça. Esse aí é o Zé. Até hoje a máquina não andou e os serviços estão sendo desmantelados, principalmente para os que mais precisam. Saúde pior, Educação pior. Serviços que eram de excelência. E pode saber: vai vir mais coisa".