REABERTURA DO COMÉRCIO

Secretário critica prefeitos e teme aumento do coronavírus na Baixada Cuiabana

"As consequências serão desconfortáveis. Algumas cidades que liberaram o comércio tem registrado casos de Covid-19. Cuiabá e Várzea Grande só se divide pela ponte", disse

por Cuiabá, MT - Rafael Costa

13 de Abril de 2020, 14h06

None
Divulgação

O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, criticou as decisões dos municípios de autorizarem a reabertura do comércio em meio à pandemia do coronavírus.

"As consequências serão desconfortáveis. Algumas cidades que liberaram o comércio tem registrado casos de Covid-19. Cuiabá e Várzea Grande só se divide pela ponte. O centro de Cuiabá está mais próximo do centro de Várzea Grande do que do o bairro Pedra 90. O trânsito dessas duas cidades praticamente compromete as medidas estabelecidas pela cidade de Cuiabá. Abrir o comércio não é o ideal e nem o confortável. Isso vale para as outras cidades também", declarou.

Em Várzea Grande, a prefeita Lucimar Campos (DEM) autorizou a reabertura do comércio, o que provocou aglomerações em vias públicas, comprometendo assim a política de isolamento social defendida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e adotava por diversos países para reduzir o contágio do coronavírus.

Em Sinop, o município autorizou até abertura de academia, o que foi proibido pela Justiça. Em Chapada dos Guimarães (distante 65k de Cuiabá), a prefeita Thelma de Oliveira (PSDB) decretou o funcionamento dos bares, lanchonetes e restaurantes do município.

A prefeita alegou que o fechamento por tempo indeterminado iria levar a demissões e pelo menos 200 funcionários seriam demitidos. Em tom crítico, o secretário de Saúde Gilberto Figueiredo lamentou a decisão dos municípios e argumentou que, se não fosse necessário o isolamento social, nenhuma medida teria sido imposta.

"Os números são claros e as pessoas precisam entender que a ideia e o certo é ficar em casa. Eu vejo com preocupação essas decisões que estão sendo tomadas. Deus queira que não, mas poderemos experimentar um crescimento de casos. Muitas mortes teremos, mas tem gente que ainda não acredita", concluiu.