CPI DA COPA
Em interrogatório, Silval pede desculpas ao povo e aproveita para dar “dica” a Pedro Taques
13 de Maio de 2016, 07h16
Na Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI), que apura irregularidades nas obras de Mato Grosso para a Copa do Mundo de 2014, o governador do Estado à época, Silval Barbosa (PMDB) pediu desculpas à população. Foi o segundo dia do interrogatório na capital do Estado que mira o hoje presidiário Barbosa, além de outros acusados. Ao atual governador Pedro Taques (PSDB) foi oferecida até uma "dica".
Barbosa defende que o excesso de obras o prejudicou. Junto a Silval, o ex-secretário da Copa, Eder Moraes, também prestou depoimento, atacando o ex-chefe. Na Assembleia Legislativa do Estado, os deputados tiveram, ainda, que ouvir do ex-governador do Estado: "Talvez se a Assembleia tivesse trabalhado, eu não estaria sentado aqui", referindo-se à fiscalização e atuação dos parlamentares da Casa no tempo das obras.
A Pedro Taques, o Barbosa orientou que retome as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) "somente no tempo seco". Sugeriu que o tucano não retome as obras, em outubro, porque enfrentará o período de chuvas.
E o ex-governador foi mais longe. Ressaltou que se tivesse tido a oportunidade de ter sido reeleito, talvez a obra do VLT já estaria pronta. Isso porque não pôde disputar porque, na época, cumpria o segundo mandato.
Relatório
A oitiva de Silval foi a última da CPI da Copa. Agora, o relator Mauro Savi (PR) deve concluir o relatório final, que será apreciado pelos demais membros do grupo e, posteriormente, votado em plenário.
Conforme o deputado Oscar Bezerra, há subsídios suficientes para um relatório substancioso e a CPI não se furtará a fazer indicações ao Ministério Púbico Estadual ou a qualquer outro órgão competente, se concluídos indícios suficientes, seja contra qualquer gestor. Sobre a possível necessidade de um novo depoimento, se houver necessidade, a CPI o fará em reunião fechada.
Sobre o depoimento do ex-governador, o parlamentar disse que Silval demonstrou um desconhecimento geral de irregularidades e se pode concluir que teve secretários com superpoderes, tomando atitudes e decisões unilaterais.
Outras obras
Ao final da oitiva, o peemedebista apresentou à CPI documentos que, segundo ele, comprovam que ao contrário do que afirma o atual governo, quando deixou a gestão, teria deixado recursos da ordem de R$ 684 milhões, além de outros R$ 80 milhões que teria efetuado em pagamento e que o Banco do Brasil devolveu em 2 de janeiro, somando, conforme ele, R$ 764 milhões em caixa.
Silval também entregou documentos que comprovariam outros recursos que havia deixando encaminhado, como para a execução do rodoanel Cuiabá/Várzea Grande, obras em estradas nas regiões de Barra do Garças, Castanheira e Colniza, asfaltamento em diversas cidades do interior e mais de R$ 1,5 bilhões assegurados, sendo R$ 850 milhões a serem realizados dentro do MT Integrado.