Após denúncias, OAB retoma comissão de Direitos Humanos e MP prepara nova vistoria na Mata Grande

por GazetaMT

13 de Junho de 2012, 07h08

Após denúncias, OAB retoma comissão de Direitos Humanos e MP prepara nova vistoria na Mata Grande
Após denúncias, OAB retoma comissão de Direitos Humanos e MP prepara nova vistoria na Mata Grande

O ditado de que 'há males que vem para o bem' pelo jeito pode ser aplicado sem problemas em relação as confusões observadas nos últimos dias na Penitenciária da Mata Grande. Após a substituição do diretor Raymundo Vasconcelos foi deflagrada uma ampla operação, que culminou com a descoberta de um armazém de drogas, um arsenal de armas variadas, centenas de aparelhos celulares e outras regalias inimagináveis em um presídio - como vídeo-games, freezeres, computadores e até uma rede de internet.

A PM admitiu que usou força moderada e fez disparos com munição de borracha durante a operação. Porém a informação de que os houve 'poucos feridos e de que todos foram medicados na própria unidade prisional' foi contestada por dezenas de parentes de reeducandos. Ontem eles divulgaram fotos que comprovariam os excessos na operação.

Ocorre que, além da imprensa, as imagens também foram encminhadas para o Ministério Público, para o Conselho da Mulher e para a OAB. Diante do caso, A secção local da Ordem reativou a comissão de Direitos Humanos, que estava sem funcionar por falta de componentes. Por outros lado o MP também abriu um procedimento e negocia uma nova vistoria no presídio - desta vez com representantes da OAB, do Conselho da Mulher e, provavelmente, também de parentes de detentos.

É difícil afirmar se as denúncias procedem ou são apenas uma tentativa dos reeducandos de tumultuar o processo para impedir o fim das regalias que tinham no presídio. De qualquer forma, a reativação da comissão de Direitos Humanos da OAB e a opção pela transparência por parte do MP são vitórias que merecem ser comemoradas.

Até pouco tempo a Penitenciária da Mata Grande era inacessível à imprensa e ao público externo, e todos vimos no que deu. Quem sabe agora, com mais transparência e fiscalização sobre direitos e deveres dos reeducandos, tenhamos lá um ambiente que de fato favoreça a recuperação. Vamos torcer.