Em dia de decisão, partida termina em clima de amistoso e "times" se armam para outubro

por GazetaMT

13 de Junho de 2012, 14h56

Em dia de decisão, partida termina em clima de amistoso e "times" se armam para outubro
Em dia de decisão, partida termina em clima de amistoso e "times" se armam para outubro

Não. O Buxixo não resolveu falar sobre futebol, ao menos não hoje. Hoje é dia de falarmos dos jogos da política, os lances, os números, os comentários e os melhores momentos.  

É que em dia atípico, a Câmara Municipal de Rondonópolis se tornou um verdadeiro caldeirão, com direito a comemorações dignas de gol em fim de campeonato, agradecimento à conquista - com direito a choro e tudo - vaias contra jogadas a favor daqueles os quais se torcia contra, e, até, um esboço das famosas torcidas uniformizadas - comuns em estádios.

À hora do início da votação, a casa já se encontrava cheia: Teve quem se acomodou nas cadeiras, teve aqueles que conseguiram os camarotes, teve os que tentaram os camarotes, e teve aqueles que ficaram em pé mesmo.

Em meio à "arquibancada" - que contava até mesmo com a mítica figura do popular acompanhando a decisão também por rádio - uma coisa se destacava: O vermelho. Restava as dúvidas; Mal sinal para Mohamed Zaher? seria vermelho do PT, do candidato Juca Lemos; vermelho do PR - que os mais despercebidos até esquecem que compõe a cor da sigla, principalmente devido ao amarelo com azul e ao verde que tanto ilustraram o partido em Rondonópolis -  seria o vermelho do PMDB, ou seria ainda o vermelho do Zé do Pátio ainda a espreita?! Quem joga em casa?

Árbitro na casa só mesmo o presidente da mesa diretora da Câmara, Hélio Pichioni, já que o juiz, ou, no caso, juíza - da 10ª Zona Eleitoral, Jaqueline Cherulli - estava como espectadora convidada na partida de hoje.

Torcida a postos, times em campo, começa a sessão. Com um início típico, com trocas de passes, os personagens são apresentados e o jogo passa a ganhar forma. Em ordem de sorteio, cada um dos candidatos é chamado à tribuna para apresentar, em 10 minutos, sua plataforma. Vereador Mohamed Zaher é o primeiro. Público em silêncio. Treinado e articulado, Zaher fala de sua carreira e suas propostas, defende o enxugamento da máquina pública e da necessidade emergencial de soluções para o trânsito de Rondonópolis, evoca o que define como "seu modo ousado de gerir e admnistrar". Fim do primeiro tempo. Arquibancada aplaude.

Sobe o segundo. Ananias Filho na tribuna. O pouco barulho da platéia some. O prefeito interino também fala de sua carreira - é aplaudido - dos desafios enfrentados durante sua vida - novos aplausos e gritos - dos desafios encontrados na prefeitura e da necessidade, que enxerga, da união política em Rondonópolis - novamente, aplausos. Cheio de "fairplay" elogia e até dirige a palavra diretamente a seus adversários. Em seu discurso, sete sessões de aplausos da "arquibancada" são contabilizados. A essa altura já se sabe quem é o time da casa. Termina o discurso. O povo que assiste começa o buxixo. o "Buxixo" acompanha.

3º tempo: Juca Lemos à tribuna, o murmurinho continua. Juca tem muito pra dizer, fala sobre sua atuação, sobre a falta de vereadores do PT e sobre sua candidatura. Um minuto se passa, finalmente a arquibancada silencia. Juca Lemos tem muito a dizer, fala sobre o Partido dos Trabalhadores, sobre os governos Lula e Dilma, fala alto e apresenta 13 propostas emergenciais para cidade. Fala sobre mudanças, sobre transparência. o Presidente da tribuna dispara "um minuto". Juca tem muito a dizer, fala sobre como pode ajudar a Prefeitura mesmo se não eleito, fala sobre sua luta de estar ali, mesmo sem acordos, e termina sua fala. Arquibancada aplaude.  

Sem tempo nem para a água, começa a votação. Como em decisão nos pênaltis, um por um é chamado para voto aberto. A série abre com Adonias - voto para Ananias - platéia vibra. Vai o próximo, e o seguinte. São doze chutes. nove acertam - positivamente - Ananias Filho; três vão - com protestos de setores da torcida - pra conta de Zaher. Arquibancada se agita, fim de jogo. Nesse jogo que só não teve graça fazer bolão, o resultado já esperado: Ananias nove, Zaher três, Juca zero.

Comemorações, agradecimentos e cumprimentos resumem o final da partida. Ananias dá seu primeiro discurso como prefeito eleito. Volta a falar das dificuldades, fala da família, do pai - ex-vereador Ananias Martins - da mãe, dos irmãos e filhos. se emociona e chora. Chora o choro dos campeões, mas como quem se dá conta de que o campeonato acaba de começar - principalmente se deseja realmente se firmar como nome do partido, e mais, da difícil aliança com PMDB, para concorrer a Prefeitura Municipal, desta vez em diretas, em outubro - se recompõe e volta ao discurso firme, de mudanças e união política.

A partir daí a partida que até então era desenhada com moldes de decisão ganha um ar de amistoso, ou, ainda, de início de campeonato. Juca Lemos parabeniza seus concorrentes, e sai satisfeito, com a visibilidade que o PT de Rondonópolis, sumido há tempos, ganha em pleno ano eleitoral - ainda mais um ano com aumento significativo no número das cadeiras pra Câmara.

Mohamed Zaher, também dá visibilidade ao PSD recém formado, e já acumula possibilidades de alianças, com uma notoriedade que permite à sigla almejar mais do que apenas "compor" alguma chapa.   

No fim o clima foi de satisfação e preparação para todos, armando seus elencos, definindo capitães e sistemas táticos. Agora todos os "times" se preparam pro mata-mata de outubro.

Enquanto a fase decisiva não chega, o prefeito eleito Ananias Filho dita outro tipo de jogo, essa já dentro da prefeitura recém alcançada. De acordo com as conversas de "vestiário" agora é tempo de ligar o  som e ficar esperto, porque tudo indica que o jogo da vez é a dança das cadeiras.