EDUARDO CUNHA

Presidente afastado da Câmara dá aula sobre impunidade no Brasil

por GazetaMT

13 de Junho de 2016, 08h50

Presidente afastado da Câmara dá aula sobre impunidade no Brasil
Presidente afastado da Câmara dá aula sobre impunidade no Brasil

Desde que se tornou réu e teve descobertas as já famosas contas bancárias no exterior, o presidente afastado da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha já inventou de tudo. Chega a doer presenciar em tempo real tamanha canalhice vinda do peemedebista.

Dói não pelo que diz Cunha, mas sim pelo que acontece. Ou melhor, não acontece. A cada novo depoimento ou entrevista, o réu muda o discurso e se "arranja". Ganha tempo e nada passa de míseros comentários (como este) na grande, média e pequena mídia.

Em novo capítulo da novela, Eduardo Cunha disse ter empobrecido nos últimos cinco anos, uma semana após usar as costas da própria esposa para argumentar sua postura torpe. Em sua declaração de imposto de renda, Cunha informou queda de 28% do seu patrimônio. Segundo ele, em 2010 seu patrimônio era de R$ 1,704 milhão e em 2014 passou para R$ 1,537 milhão.

Não inclusos, obviamente, os já provados R5 mi que recebeu em forma de propina em 2011. Para a Procuradoria Geral da República (PGR) não há dúvida quanto a ilicitude dos repasses.  No fim de 2015, a Suíça bloqueou cerca de R$ 9 milhões nas contas de Cunha naquele país. A Receita Federal  agora investiga as informações declaradas sob suspeita de inconsistências.

Em resumo: Cunha sabe que deve, a Justiça sabe, toda a Câmara dos Deputados sabe, a Lava Jato sabe, o juiz Sérgio Moro sabe... O povo sabe.

Sabido também é o quão seletivas são a justiça e esta tal nossa política tupiniquim. Cunha ganha tempo por meio da barganha que o tornara reconhecido, tem nas mãos cabeças importantes e construiu um cenário onde sua blindagem implica na proteção de parte dos seus.  Não pode cair, pois sabe demais. Foi estrategicamente afastado da Câmara e ainda toca o apito.

Contra Cunha não existe Polícia Federal, não existe Sergio Moro, não existe combate. Não há justiça que lhe tire o terno exceto em caso de acordo junto à própria classe política em seu pleno plano midiático.

É como dizem, verdade dói.