GREVE GERAL
Fundamento da faculdade ajuda a entender paralisação dos servidores do Estado
13 de Junho de 2016, 11h00
Um dos fundamentos que se aprende na faculdade de jornalismo é que toda história possui ao menos duas verdades. É o olhar que norteia o ponto de partida de quem conta e o faz com base nas vivências, conhecimentos (ou falta de) e preconceitos. Ainda assim, o compromisso de informar sem mentir está sendo cumprido.
Tal lembrança serve para ilustrar o desacordo aparentemente sem solução envolvendo o Governo do Estado de Mato Grosso e os Servidores Públicos Estaduais que desde o dia 31 de maio desencadearam uma greve geral em todo o Estado. Entidades de representação sindical das diversas categorias tem se reunido e não sinalizam entrar em consenso quanto ao fim da paralisação.
O pagamento do reajuste geral anual (RGA) a ser feito pelo Estado, direito dos servidores, os estipula a reposição com base inflacionária de 11,28%. Nada menos é o que pedem os trabalhadores. O Governo, por sua vez, diz que tal cifra é impossível e propõe o pagamento parcelado no percentual máximo de 6%. Voltamos ao princípio: duas verdades de um mesmo fato.
Fato é a situação, verdades são os argumentos. Tão verídico quanto o direito do servidor é a crise enfrentada pelo Estado. Mato Grosso passa longe da realidade vivida, por exemplo, pelo Rio de Janeiro, que não tem arcado nem mesmo com folhas de pagamento. Ainda assim, nosso Estado não é dos mais protegidos financeiramente. O fenômeno da crise, é sabido, é nacional e nos afeta.
Como dito pelo Governo, se realizado o pagamento total com base nos 11,28% ainda neste mês, como pedem os trabalhadores, Mato Grosso quebra. Uma das maiores potências econômicas da Federação se encontra na berlinda.
Quanto aos servidores, porém, exigir que atendam aos pedidos do Governo e retornem aos trabalhos acatando a decisão de baixar, ainda que de primeiro momento, o percentual da reposição é querer demais. O RGA é legítimo e o direito tem de ser respeitado. Ignorar a reivindicação ou menosprezar a força da luta das categorias unidas não é do feitio de gente séria, ou ao menos não deveria. Infelizmente, exemplos infelizes vindos de autoridades contrárias aos servidores cercam todo este imbróglio.
Desde o dia 31 de maio, Mato Grosso parece ter parado. Mesmo quem não atua no serviço público dele depende. E não o encontra. Os principais órgãos do Estado seguem de portas fechadas, ainda que o Judiciário tenha determinado a volta das atividades. Consideram ilegal a greve em alguns setores e, em resposta dos grevistas, atuam como "pelegos".
Em verdade(s), baixar a guarda é o cerne da questão neste momento. Para o avanço do diálogo um lado precisa ceder, aceitar do ponto de partida do outro a sua verdade.
Outro fundamento...