POLÊMICA
Ao Gazeta MT, vereadores respondem sobre portarias com nomeações de parentes na gestão Zé do Pátio
Mensagens compartilhadas em grupos de whatsapp expuseram cargos e salários de esposas e filhos de representantes do Poder Legislativo
13 de Julho de 2020, 09h48
Desde a publicação da coluna Buxixo, há uma semana, sobre as portarias que confirmavam a nomeação da esposa e filha do vereador João Mototáxi em cargos comissionados na Prefeitura de Rondonópolis, mais parlamentares tiveram seus nomes envolvidos na mesma polêmica. Procurados pela reportagem, o presidente da Casa Cláudio da Farmácia, Orestes Miráglia e Elton Mazete se pronunciaram sobre o vínculo empregatício de seus familiares na gestão Zé do Pátio.
Quando da publicação da nota, João Mototáxi, "Justificou as nomeações dizendo que ambas precisam trabalhar e que sua esposa já trabalha no município desde o início da gestão", segundo o blog local Estela Boranga Comenta, da jornalista Estela Boranga.
No dia 03 de março, Vanete Barbosa do Rego, esposa de João, foi nomeada para o cargo em comissão de Gerente de Divisão de Administração de Cemitérios Municipais (DAS-4), vinculado à Secretaria Municipal de Administração e com salário bruto de R$ 3.437,13. Um mês depois, em 02 de abril, foi a vez de Thalita Beatriz Barbosa Garcia, filha de João, garantir vaga comissionada para o cargo de Assistente de Acompanhamento de Gestão Administrativa (DAS-7) da Secretaria Municipal de Receita, cujo salário bruto é de R$ 1.643, 22.

Novos nomes
Nas imagens que novamente envolvem vereadores, as nomeações acompanhadas dos salários de cada parente comissionado na Prefeitura de Rondonópolis. Elton Mazete Junior, filho do vereador Elton Mazete, foi foi nomeado para o cargo de Gerente de Divisão de Acompanhamento de Iluminação (DAS-4) em 2 de abril de 2020, com salário de R$ 3.437,13.
Orestes Miráglia Carvalho Junior também ocupa cargo em comissão na tabela DAS-4 (R$ 3.437,13), nomeado em novembro de 2019.
Por fim, Mariana Pinheiro Souza Carvalho, filha do vereador e presidente da Câmara, Claudio da Farmácia, nomeada com o salário mais alto entre todos os anteriores: R$ 5.184 (DAS -3), com portaria datada de 8 de maio de 2019.
As portarias foram divulgadas em grupos de whatsapp. O recém formado, porém barulhento, movimento conservador de Rondonópolis se encarregou da divulgação das nomeações. O mesmo grupo, há uma semana, promoveu uma carreata que terminou em agressão na porta da Prefeitura.
Todas as portarias e datas de nomeação divulgadas são legítimas. A pedido da reportagem, os novos vereadores envolvidos enviaram resposta:
Elton Mazete: Meu menino (filho) é engenheiro eletricista, tem formação como engenheiro e também cursos na área de energia solar, segurança do trabalho e energia reciclável. Tem experiência. Ele estava lotado na Sinfra até mês passado. Na verdade, não sei porquê divulgaram estas imagens, se ele já estava de saída da Prefeitura pata investir na sua própria empresa de energia solar. Ele pediu exoneração do cargo no mês passado. Eu, inclusive, já pedi a portaria de exoneração para compartilhar com quem interessar conferir.
A verdade é que tem muita politicagem no meio dessas imagens, a gente fica olhando essas coisas e fica até preocupado. Mas não tenho ligação direta como prefeito, secretário e nem com mais ninguém. Sempre fiz o meu trabalho e isso em nada me atrapalha. Continuo com minha atuação.
Mas a questão política é complicada...
Orestes Miráglia: De fato, a portaria é do meu filho. Ele sempre foi atleta, é jogador profissional de voleibol, jogou pela cidade, representou Rondonópolis em competições e foi reconhecido pelos feitos e pelos títulos que conquistou. Depois atuou como jogador em equipes de São Paulo e também fora do Brasil.
Veio para Rondonópolis fazer um tratamento, decorrente da vida de atleta. Sabendo do potencial e do currículo, o prefeito o convidou para atuar na Secretaria de Esporte. Ele veio para coordenar projeto esportivos de cunho social, com jovens em situação de vulnerabilidade. Também promove eventos esportivos na cidade.
Quando o prefeito o convidou para a área, meu filho me consultou e eu não gostei. Mas o prefeito insistiu porque sabia da sua competência. Mas sembre acordamos que isso não iria influenciar no meu trabalho como vereador.
Tenho que fiscalizar as ações, fazer minhas indicações e propor projetos de lei. Tenho minhas atribuições. Quando colocamos isso (a nomeação) na mesa, o próprio prefeito disse que a intenção jamais foi me cooptar ou algo deste tipo.
Sempre separamos. O prefeito, por exemplo, quis aumentar o IPTU, havia disparidades no projeto, encontrei distorções. Votei contra. Sou membro da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e sempre me posicionei de acordo, isento.
Sobre a recente tentativa de abertura de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) contra o prefeito, por supostas irregularidades em gastos na Saúde: Na CCJ eu votei favorável a abertura (da CEI), mas pedi que me fossem mostradas provas mais concretas de ilegalidade. A mim nenhuma prova chegou.
Entendo o sentimento das pessoas, mas é perigoso agir no impulso, na emoção. Nas redes sociais é assim. Boa parte dos que estão à frente dessas acusações, inclusive, ja ocuparam cargos na prefeitura em anos anteriores, funcionários que não iam trabalhar, que usavam caros oficiais em atividades particulares. Ha também os que agora são pre-candidatos.
Não sou procurador nem assessor do Zé (do Pátio). Se em algum momento ele for culpado de algo, serei o primeiro a apontar, abrir um CPI, se for preciso. Não é porque sou da base ou do partido do prefeito que comprometo meu trabalho.
Meu filho não precisa desse cargo, tem sua carreira e já está indo para a Europa no final do ano. Se está aqui, agora, é para ajudar. Minhas decisões na CCJ são tomadas com base técnica, sem paixão política. Além de vereador, conduzo meu programa da rádio e sigo da mesma maneira, criticando e apontando os erros da administração municipal quando necessário. Ouvimos a população e batemos, quando tem que bater.
Cláudio da Farmácia: Com relação a minha filha, ela trabalha na Sinfra. Minha esposa é servidora de carreira, fiscal sanitarista, mas minha filha é comissionada. Ela trabalha na Prefeitura, assim como parentes de outros vereadores ou pessoas que não são parentes, mas são indicados. São inúmeros.
Não tem nenhuma ilegalidade nisso. Isso acontece em âmbito municipal, estadual e federal. Não há ilegalidade e, por isso, não entendo os questionamentos.
Período eleitoral é sempre atípico...
Desde que estou vereador, meu oitavo ano, sempre tive posicionamento de imparcialidade. Na legislatura anterior, tinha com relacionamento com o então prefeito Percival (Muniz) e agora é assim também do o Zé (do Pátio). Mas sempre atuei, como, por exemplo, quando, neste ano, disse que ele não podia espalhar mentiras para a população, ele afirmou (na ocasião) que a Câmara inviabilizava o trabalho da Prefeitura.
Sobre a CEI, assinei pela abertura, fui o quarto vereador a assinar. Como presidente (da Câmara), não tenho direito de voto direto. Agora, como propositura, achei necessário assinar e assinei.
Não fui eleito com o grupo do Zé (do Pátio), minha conduta não é amarrada. estas postagens mostram quatro vereadores, mas a verdade e que tem mais. Ali aparecem os que quiseram expor.
Mas não me preocupo, pois não estou amarrado. O cargo (comissionado na Prefeitura) não é meu, é do prefeito. No momento em que ele achar que minha filha não serve, pode exonerar.