legislativo
Decreto de Ibrahim suspendendo Sessão da Câmara gera revolta entre vereadores
A Sessão já estava aberta e em andamento no momento em que o documento foi lido, o que foi interpretado como uma falta de respeito
13 de Agosto de 2014, 17h19

Um decreto assinado pelo presidente da Câmara, Ibrahim Zaher (PSD), suspendendo a Sessão Ordinária do Legislativo dessa quarta-feira, 13, por conta da morte do presidenciável Eduardo Campos (PSB), gerou desconforto e revolta entre os vereadores. Isso por que Ibrahim estava ausente do Plenário e a Sessão já estava aberta e em andamento no momento em que o documento foi lido, o que foi interpretado como uma falta de respeito pelos seus pares.
Um dos mais indignados era o vereador Mauro Campos (PT), vice-presidente da Mesa Diretora, que presidia a Sessão no momento em que o documento assinado por Ibrahim foi lido em Plenário. "Se eu como vice-presidente da Câmara não tenho o papel de representá-lo (Ibrahim) na sua ausência, o que eu estou fazendo aqui nessa Casa. Isso é um desrespeito com quem está presidindo a Sessão, pois o documento só chegou depois das 14 horas, com a Sessão já acontecendo. isso é uma tremenda falta de respeito com os vereadores e com a população", desabafou.
O motivo da revolta de Campos, segundo o próprio, seria o que o decreto assinado por Ibrahim somente chegou ao Plenário por volta de 14:30 horas, ou seja, cerca de uma hora após a Sessão ser instalada. "O presidente Ibrahim Zaher precisa entender o seu papel. A partir do momento em que ele não estiver aqui na Sessão, cabe ao vice assumir todos os trabalhos aqui. Isso me cheira à golpe", disparou, deixando entender que o motivo citado por Ibrahim serviria na verdade para protelar a votação do Projeto de Resolução 04/2014, que promove alterações no Regimento Interno da Câmara e antecipa a eleição de sua Mesa Diretora.
"Isso está claro para nós que tem o objetivo de ganhar tempo e protelar uma decisão que é inevitável, pois conta com o apoio da maioria dos vereadores. Vamos ver o que ele vai aprontar para protelar a votação na próxima quarta", concluiu em tom de revolta.
"A gente lamenta profundamente a morte do ex-governador e candidato a presidente Eduardo Campos, um lutador, um socialista, mas o Regimento da Câmara não pode ser desrespeitado. Nós todos fizemos um juramento de respeitá-lo. Achamos (a atitude de Ibrahim) é um desrespeito não só com os colegas vereadores, mas principalmente com o cidadão que nos paga para fazermos uma Sessão semanal todas as quartas", disparou no mesmo tom crítico o vereador Thiago Silva (PMDB), primeiro-secretário da Mesa da Câmara.
Outro lado
De sua parte, o presidente Ibrahim se mostrou surpreso e revoltado com os acontecimentos, pois segundo ele, os vereadores haviam sido comunicados da suspensão da Sessão, o que o levou inclusive a não ir participar da mesma. "Na verdade o que teve foi um desrespeito dos vereadores, que passaram por cima de um decreto que é a coisa mais comum nesse tipo de situação, quando tivemos a perda de uma grande figura nacional. Todos os órgãos similares no País fizeram o mesmo. Os colegas estão deixando essa questão da Mesa Diretora passar por cima do bom senso, pois se não houvesse essa questão em pauta, nada disso teria acontecido", disse.
Ainda segundo Ibrahim, os vereadores estariam confundindo os papéis do presidente do Poder Legislativo e quem preside a Sessão. "O decreto, eu assinei como presidente da Câmara, do Poder Legislativo e ele teria que ser respeitado, pois não estou afastado da presidência. Da mesma forma como fui criticado, me sinto chateado pela falta de bom senso, pois poderia ter sido outra autoridade e suspenderíamos a Sessão do mesmo jeito, pois isso é uma forma de respeito, que todos os vereadores concordam, tanto é que suspenderam a Sessão. O grupo que quer antecipar as eleições tentou me atingir, mas não conseguiram", finalizou Ibrahim Zaher.