O trânsito e os loucos
14 de Novembro de 2013, 16h17
Só este ano 16 pessoas morreram vítimas de acidentes de trânsito aqui em Rondonópolis. Se alguém acha esse número baixo, eu chamaria de louco. . .
Louco também é quem acha que em menos de 15 horas, um radar que mede a velocidade dos veículos que passam pela Rua Fernando Correa da Costa registre quase 1.400 infrações, só de excesso de velocidade (acima de 40 k/hora), é pouco . . . .
Ou então louco é quem ,quando vê uma viatura oficial de segurança de trânsito parada em algum local 'proibido', sai por aí, chamando esse condutor de infrator. . .
A questão é: quanto mais viaturas da Polícia, da Secretaria de Trânsito, enfim, quanto mais fiscais tivermos nas ruas, quanto mais radares estiverem ligados para fiscalizar e reprimir qualquer infração no trânsito, dentro da cidade, mais facilmente veremos esses números caindo e cada vez menos notícias de mortes 'loucas' teremos de ler. . . .
Mas temos mais gente 'de olho' bem aberto para algumas questões simples do dia a dia: como o autor e o veículo de comunicação que acharam 'sensacional' divulgar essa foto. Vale lembrar que existem Leis que regem a cidade, o Estado e o País. Aliás, tudo o que fazemos é regido por Leis, se obedecemos ou se burlamos, isso já deve ser uma decisão própria, desde que estejamos dispostos também a pagar pela nossa decisão. . .
Então vamos os que interessa, a Lei: o Código Nacional de Trânsito diz, no artigo 29, inciso 7º diz: "VII - os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento, os de polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e as ambulâncias, além de prioridade de trânsito, gozam de livre circulação, estacionamento e parada, quando em serviço de urgência e devidamente identificados por dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação vermelha intermitente. . . . " Portanto, o veículo da Setrat pode sim parar onde facilitar a ação dos condutores, onde for mais próximo da ação proposta. . . . Lógico que isso não significa que qualquer viatura protegida pelo inciso VII do CNT possa abusar de tal prerrogativa.
Mais uma vez nos deparamos com aquela coisinha simples que se chama bom senso, o que falta para muitos. . pena, pena mesmo. . . A ordem é evitar qualquer atitude que possa soar como irregular, mas o dia a dia desses profissionais que estão nas ruas para proteger, ou pelo menos tentar, não é fácil e exige ações até mesmo vistas como 'irregulares ou ilegais', apesar de não serem. . tem loucos demais para uma cidade onde a indústria de multas está longe de se concretizar, ou, pelo menos, chegar perto da produção de infratores. . . . .
*Estevan de Melo é jornalista em Rondonópolis e diretor do site Gazeta MT.