FRIGORÍFICO

CPI de Nininho mira gigante JBS

Presidente da Comissão, deputado acusa suposto cartel da carne

por Robson Morais

14 de Março de 2016, 09h13

CPI de Nininho mira gigante JBS
CPI de Nininho mira gigante JBS

Nininho é presidente da CPI dos Frigoríficos Foto - Assessoria

Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a ser instalada ainda nesta semana na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o deputado estadual Ondanir Bortoloni, o Nininho (PR), tem pela frente uma briga de gente grande. Mais que isso, se prepara para enfrentar uma gigante no ramo frigorífico: a JBS, do grupo J&F, também controlador de empresas como a Friboi e a Seara.

Nininho está à frente de um processo que tem como alvo um suposto "cartel da carne". Entre os principais prejuízos denunciados pelo parlamentar, estão a desvalorização da carne e da pecuária no Estado, a demissão de trabalhadores e a concorrência desleal no mercado, "reflexos da atividade ilícita chamada monopólio", segundo diz. "Não podemos admitir que essas empresas peguem dinheiro nosso, venham aqui em Mato Grosso, fechem 20 plantas frigoríficas e não aconteça nada com elas", disparou Nininho".

E estratégia das gigantes, como a JBS, segundo Nininho é baixar o preço da arroba do boi que é comprado e fechar plantas frigoríficas que poderiam dar competitividade ao mercado. A CPI vai abordar também o recebimento, por parte das empresas, de incentivos fiscais e financiamentos oriundos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic), além do atendimento das obrigações impostas nos termos de compromisso firmados pelas empresas com o poder público para estes financiamentos e incentivos fiscais, como por exemplo, a responsabilidade social dessas empresas.

Segundo pesquisas realizadas para a instalação da CPI, as empresas receberam incentivos federais, estaduais e municipais para investir em Mato Grosso. A CPI ainda irá buscar informações, juntos às prefeituras, para saber quais benefícios foram dados às empresas para que em troca gerassem emprego, renda e crescimento econômico para os municípios.

Representação

Os membros da CPI dos Frigoríficos já foram definidos. Os membros titulares são: Nininho (presidente), José Domingos Fraga (relator), Pedro Satélite, Wagner ramos, Eduardo Botelho. Os suplentes: Oscar Bezerra, Zeca Viana, Baiano Filho, Wancley Carvalho e Wilson Santos.

Por parte dos pecuaristas, o parlamentar se reuniu com representantes da Associação de Criadores do Estado (Acrimat), do já existente Instituto Mato Grossense da Carne (Imac), do Fundo de Apoio à Bovinocultura de Corte (Fabov) e do Fundo de Emergência de Saúde Animal (Fesa).

Doações de campanha

Noticiado pelo jornal O Estado de São Paulo em janeiro de 2016, o grupo J&F é apontado como o maior doador de campanhas eleitorais no ano presidencial de 2014. Tanto a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) quanto o rival e segundo colocado Aécio Neves (PSDB) receberam, segundo a publicação, montantes de dinheiro que financiaram a disputa ao pleito. "Se financiaram campanha de Dilma e Aécio é porque não queriam ficar sem o respaldo político para continuar agindo dessa forma em nosso país. É fácil bancar o jogo dos outros com dinheiro ganhado fácil. Esse grupo pegou mais de R$ 5 bilhões da população do nosso país", disparou Nininho no dia 4 de fevereiro.

O grupo J&F, por meio da JBS, foi também citado na 22ª fase da Operação Lavajato, do Ministério Público Federal (MPF), por suposto repasse de verba à empresa ligada ao ex-deputado federal André Vargas (PT), preso na ocasião.