Sem explicações

Secretário da Contag usa habeas corpus para não responder questionamentos na CPI da Funai e do Incra

A expectativa de que ao menos pedisse desculpas pela fala, foi frustrada

por GazetaMT

14 de Abril de 2016, 08h18

Secretário da Contag usa habeas corpus para não responder questionamentos na CPI da Funai e do Incra
Secretário da Contag usa habeas corpus para não responder questionamentos na CPI da Funai e do Incra

O secretário de Finanças e Administração da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Aristides Veras dos Santos, esteve nesta quarta-feira em sessão da CPI da Funai e do Incra, onde foi chamado a dar explicações sobre suas declarações em evento no Palácio do Planalto, onde convocou o movimento dos trabalhadores rurais a promover invasões nas propriedades daqueles que se posicionaram favoráveis ao impedimento da presidente Dilma.

A expectativa de que ao menos pedisse desculpas pela fala, foi frustrada. Aristides chegou acompanhado de advogado e amparado por Habeas Corpus preventivo que lhe permitiu ficar calado diante das perguntas do relator e dos demais deputados membros da comissão.

O dirigente se limitou a dizer que a entidade da qual faz parte, representa cerca de 20 milhões de trabalhadores associados a 4 mil sindicatos. As falas seguintes foram apenas "por orientação de meu advogado vou permanecer em silêncio".

O relator da CPI, deputado federal Nilson Leitão (PSDB-MT), iniciou sua fala lamentando que alguém tão empolgado quando protegido pela militância, tenha se acovardado diante daqueles a quem dirigiu as ameaças. "Quem falou tanto dentro de uma estrutura pública como o Palácio do Planalto para a imprensa nacional e internacional, não sei por que quer se privar de falar dentro da casa do povo com a presença de quem concorda e não concorda com o que ele disse", argumentou o parlamentar.

A fala em questão aconteceu no dia 1º de abril, quando em evento de regularização de terras quilombolas e para a reforma agrária, Aristides provocou, "A forma de enfrentar a bancada da bala contra o golpe é ocupar as propriedades deles ainda lá nas bases, lá no campo. E é a Contag, é os movimentos sociais do campo que vão fazer isso. Ontem dizíamos na passeata: vamos ocupar os gabinetes, mas também as fazendas deles. Porque se eles são capazes de incomodar um ministro do Supremo Tribunal Federal, nós vamos incomodar também as casas, as fazendas e as propriedades deles".

Os questionamentos de Nilson Leitão foram direcionados ao estilo de vida levado pelo dirigente em detrimento daqueles a quem ele diz representar como viagens internacionais e apartamentos em áreas nobres de Brasília e de Recife, por exemplo. Questionou também a relação da entidade com os órgãos do governo como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agraria (INCRA), sobretudo porque a Contag teria indicado uma lista de pelo menos 600 propriedades que poderiam ser desapropriadas com fins de assentamentos.

Sem respostas que pudessem esclarecer a relação entre o dirigente e o governo, Leitão disse que a investigação vai continuar. "Esta CPI mesmo depois do impeachment vai continuar trabalhando e vai continuar investigando o senhor Aristides Veras dos Santos, porque ele ameaçou a sociedade brasileira, a agricultura e todos os brasileiros que querem o impeachment. Lamento seu silencio em se esconder atrás de um habeas corpus e não ter a mesma coragem que teve no Palácio do Planalto pra gritar e bradar contra o Brasil. Esse instrumento o protegeu hoje, mas o protegerá para sempre", finalizou o relator.

Mesmo com o silêncio do dirigente sindical, a comissão viveu momentos de tensão e confronto entre os deputados da base de sustentação do governo e os membros da frente parlamentar da agropecuária.

Nilson Leitão disse que organizações patronais e de trabalhadores também podem sofrer investigação diante de denúncias de conduta lesiva ao interesse público.