PÓS GREVE
“Investigações da Polícia Civil não pararam por conta da greve”, diz Delegado Regional interino
Lucídio Rondon destaca chegada de reforços para suprir eventual demanda em atraso, mas admite problemas estruturais
14 de Julho de 2016, 11h20
Passada a paralisação dos investigadores e escrivães da Polícia Judiciária Civil (PJC), o momento quanto ao possível acúmulo em investigações e demais trabalhos não é o de preocupação. A afirmação foi feita ao GazetaMT pelo Delegado Regional Interino da Polícia Judiciária Civil, Lucídio Rondon.
Rondon segue substituindo o titular Claudinei Lopes, de férias pelos próximos dias. Em entrevista realizada na sede da Primeira Delegacia de Polícia (DP), o antigo Cisc, o interino ressaltou a chegada de novos profissionais e reforço na condução dos trabalhos logo após o retorno dos servidores paralisados. 
Esclareceu, ainda, que mesmo nos tempos de greve, delegados frente às investigações continuaram trabalhando. "Vínhamos com nosso efetivo e com o trabalho que tínhamos. Hoje, após o retorno e fim da greve, as três divisões internas estão com número reforçado de policiais. Temos cinco investigadores em cada uma delas, que são: Homicídio, Entorpecente e Delitos Gerais e Legislações (DGL)", diz.
Como exemplo, a reportagem apresentou ao delegado interino exemplos de casos graves ocorridos durante o período de paralização. Dois homicídios. "Durante a greve, os delegados não pararam. No meu caso, por exemplo, foi um mês que acumulei mais de uma divisão e acabei produzindo muito. Sem investigadores na rua, demos prioridade para os trabalhos internos e com a parcela mínima que tinha que manter conseguimos trabalhar", conta. "Quanto aos crimes mais graves, de repercussão, levamos adiante até para não perder provas. Não houve interrupção", completa Rondon.
Problemas estruturais
Ainda segundo o delegado interino, hoje o que impede maior agilidade aos trabalhos e investigações da PJC são os "problemas estruturais". Apesar do reforço no número de profissionais lotados, as divisões carecem de viaturas que possibilitem frentes simultâneas de trabalho. "Temos as mesmas deficiências que já existiam. Temos pessoal, só nos falta mesmo mais viaturas. Nossa luta agora é nesse sentido", conta.
Outro problema é quanto à informatização dentro das delegacias, equipamentos defasados frente às mais recentes tecnologias. Ainda assim, Rondon frisa melhora. "Nossa realidade hoje foi a de melhora. Agora é corresponder e trabalhar. Em alguns setores temos conseguido até diminuir a demanda. O reforço dos escrivães, por exemplo, agilizou muito os atendimentos".
Por fim, o delegado interino Lucídio Rondon ressaltou a diminuição no tempo de espera para o registros das ocorrências policiais em Rondonópolis, realizados na 1ª DP. "Conseguimos recentemente colocar três registradores por turno e um por final de semana. Não há mais interrupção para registrar ocorrência. Nos falta um reforço quanto a maquinário, mas melhorou muito. Além disso, temos hoje os serviços digitais, os pré-registros, etc", completa.