PREÇO ABUSIVO
Hidroxicloroquina nas farmácias de Rondonópolis chega a R$ 670 e paciente com lúpus pede ajuda para concluir tratamento
Medicamento obteve alta nas farmácias nos últimos dois meses por causa da pandemia do novo coronavirus (Covid-19)
14 de Julho de 2020, 12h32
Uma paciente que tem lúpus do município de Rondonópolis (a 214 km de Cuiabá), viu praticamente seu tratamento contra a doença se tornar inviável, quando se deparou com o preço abusivo do medicamento Hidroxicloroquina Sulf 400 mg chegar ao preço de R$ 671 nas prateleiras de farmácias da cidade.

O fármaco está sendo vendido com uma velocidade significante, devido a pandemia do novo coronavirus e a indicação para consumo do mesmo, em pacientes infectados com a doença.
No entanto, número de pacientes que realmente precisam para a prevenção de patologias clínicas já consideradas combatidas pelo medicamento, tende agora de lidar com a alta dos valores nas fabricantes e suas distribuidoras.
Conforme a paciente de lúpus eritematoso, Valdelice de Souza Silva, de 26 anos, que faz o uso contínuo do produto, a cada dois meses é necessária a aquisição de 60 comprimidos para o controle da doença. Entretanto, ao efetuar a pesquisa interna na busca da Hidroxicloroquina nas farmácias de Rondonópolis, ela se deparou 60 capsulas ao valor máximo de R$ 671 e em outro estabelecimento R$ 465. Há dois meses, Valdelice havia comprado em uma mesma farmácia o remédio em torno de R$ 74.


Nesta segunda-feira (13), a Justiça determinou um novo "lockdown" em Rondononópolis (a 214 km de Cuiabá). A cidade avançou para mais de 2 mil casos de infecção pelo novo coronavirus.
De acordo com os dados do Boletim Informativo de Situação Epidemiológica do Estado, a taxa de ocupação de leitos de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) dos hospitais locais, está em 100%, ou seja, não há mais nenhuma UTI disponível.
Como ajuda-la
Para ajudar a paciente de lúpus Valdelice de Souza Silva, de 26 anos, interessados podem estar entrando em contato pelo número de celular 066 996326264. Dados de contas bancárias serão repassados pela família.
MT epicentro
Ao mesmo tempo que os preços sobem por causa da pandemia do novo coronavirus, frente a recessão econômica e a crise na saúde pública, os gestores governamentais se veem no desafio de não deixar a situação das cidades brasileiras piorar ainda mais.
Mato Grosso atualmente é o epicentro da pandemia no Brasil. O estado já registra mais de 1 mil mortes em razão do vírus letal. Em muitas cidades estão sendo tomadas medidas drásticas para evitar a proliferação desenfreada.
No entanto, um dos maiores prejudicados têm sido pacientes de doenças graves que fazem a utilização desse tipo de material ao qual abordou a reportagem.
Alerta do Procon-MT
Com relação aos valores cobrados, para alguns medicamentos há uma tabela de valores que estabelece o preço máximo ao consumidor (PCM), que é estipulado e monitorado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De acordo com o coordenador de Fiscalização, Controle e Monitoramento de Mercado do Procon-MT, Ivo Vinícius Firmo, os fornecedores não podem cobrar pelo medicamento preço acima do permitido pela CMED. "Para esses medicamentos é estipulado um valor máximo de venda. No caso da Ivermectina e da Azitromicina, por exemplo, que são remédios de circulação limitada, o consumidor pode verificar o valor máximo na lista de preços, que deve estar disponível para a consulta em farmácias e drogarias. Caso o estabelecimento esteja cobrando acima desse valor, já é considerado infração, assim como não apresentar a tabela para consulta no balcão", explica o coordenador.
Atenção aos elementos básicos
- Antes de efetuar a compra, consulte a lista de Preços Máximos (PMC) dos medicamentos disponível no site da Anvisa. A consulta também poderá ser efetuada nas listas de preços que devem estar disponíveis ao consumidor nas farmácias e drogarias;
- Preste atenção no número do lote (aquele número impresso na parte de fora da caixa). Ele deve ser igual ao que vem impresso no frasco ou na cartela interna;
- Verifique sempre a data de validade do produto;
- Identifique se há o número de registro na Anvisa no produto e o número de telefone para tirar dúvidas com o fabricante, caso seja necessário;
- Atenção ao lacre de segurança: não compre produto com violação ou embalagens danificadas;
- Exija sempre a nota fiscal e confira se o produto descrito no documento condiz com o que está sendo comprado.
Registro de reclamações
Tendo em vista a quarentena obrigatória em Cuiabá, para evitar a propagação do coronavírus, o atendimento presencial no Procon-MT está temporariamente suspenso. Os consumidores podem solicitar orientações pelo Whatsapp (65-99228-3098). Orientações e denúncias também podem ser feitas pela Ouvidoria do órgão, basta acessar aqui, e pelo e-mail [email protected]. Reclamações também podem ser registradas na plataforma Consumidor.gov.br . Já o contato com a Coordenadoria de Fiscalização, Controle e Monitoramento de Mercado, para denúncias de irregularidades nas relações de consumo, pode ser feito pelo e-mail [email protected].