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Feltrin diz que 'alinhamento político' prejudica Rondonópolis e rebate acusação de sabotagem

Ex-secretário de Saúde falou sobre política e disse que problemas na Saúde hoje são fruto de 'interesses eleitorais'.

por GazetaMT

14 de Setembro de 2012, 02h12

Feltrin diz que 'alinhamento político' prejudica Rondonópolis e rebate acusação de sabotagem
Feltrin diz que 'alinhamento político' prejudica Rondonópolis e rebate acusação de sabotagem

Feltrin rebateu acusações feitas por líderes do PR e disse que é 'livre'O ex-secretário municipal de Saúde, Valdecir Feltrin, reagiu às acusações feitas pelo atual prefeito, Ananias Filho (PR), e pelo deputado estadual Hermínio J. Barreto (PR). Os dois acusam Feltrin de ter sabotado as ações na pasta como forma de causar prejuízos políticos ao grupo que apoia a reeleição de Ananias Filho. Segundo o ex-secretário as acusações são infundadas e visam ocultar a causa real do problema.

"Na verdade Rondonópolis está sendo lesada pelo Estado, que atrasa os repasses devidos ao município e sonega os investimentos devidos à população. Se os repasses fossem feitos conforme manda a lei, não teríamos problemas na Santa Casa, no Hospital Regional, no P.A. e também não faltaria dinheiro para comprar remédios e equipamentos necessários ao bom funcionamento das unidades de Saúde ", acusou Feltrin.

Em entrevista ao site GazetaMT, o ex-secretário disse que a situação é idêntica em cidades como Primavera do Leste e Paranatinga - que realizam serviços acima do teto estabelecido pelo SUS. A solução seria fazer a redistribuição dos recursos destinados pelo Governo Federal e regularizar os pagamentos, mas as medidas são recusadas pelo governador Silval Barbosa (PMDB) e isso, segundo Feltrin, é uma prova de que o 'alinhamento político' não beneficia Rondonópolis.

Segundo o ex-secretário de Saúde, além de não beneficiar, o 'alinhamento político' prejudica a cidade pois os prefeitos não recorrem à Justiça temendo prejudicar politicamente o governador.

"Isso aconteceu na época do ex-prefeito José Carlos do Pátio, que tinha respeito pela questão partidária, e ocorre agora com o prefeito Ananias Filho, que não quer perder o apoio eleitoral do governador. Hoje os problemas da Saúde Pública e o sofrimento dos usuários do SUS em Rondonópolis devem-se exclusivamente aos interesses eleitorais do atual prefeito", denunciou Feltrin.

Demissão e sabotagem

Indagado sobre os motivos de sua demissão, Valdecir Feltrin voltou a afirmar a causa foi negativa em participar da campanha pela reeleição de Ananias Filho. Ele também rebateu as acusações de que teria sabotado a Secretaria Municipal de Saúde, negligenciando decisões.

"Quem me conhece, quem trabalhou comigo, sabe que eu sempre procurei fazer o melhor. Se fosse sabotagem, a situação teria melhorado quando saí. Mas, pelo que sei, piorou. Continuam os atrasos aos fornecedores, faltam medicamentos e materiais de uso rotineiro e, para piorar, agora também falta respeito aos servidores", ressaltou.

O ex-secretário reforçou que em nenhum momento foi contra a proposta de descentralização dos recursos da Saúde no município. O problema, conforme ele, foi a forma sugerida pelo prefeito Ananias Filho. "Ele conseguiu estragar uma boa ideia. Ao invés de desburocratizar, queria criar uma autarquia e retira dez dos 25% destinados à Saúde. Se fizer isso, o dinheiro restante não dará nem para quitar a folha de pagamentos", explicou.

Sobre a questão política, o ex-secretário afirmou que pretende votar em Percival Muniz (PPS), mas se engajará apenas na campanha do irmão dele, Sidnei Feltrin, que concorre a uma vaga na Câmara Municipal pelo PDT.

"Sou adulto, cumpridor dos meus deveres e posso escolher livremente quem apoiar e votar. Sempre atuei de forma intensa nas campanhas eleitorais, mas desta vez vou dar apenas uma força para meu irmão. Em relação a campanha majoritária meu apoio deve ficar ao voto no dia sete de outubro. Farei isso não por medo ou falta de opção, mas por que quero", finalizou.

Feltrin havia sido nomeado secretário pelo ex-prefeito José Carlos do Pátio no primeiro dia da gestão do peemedebista, em janeiro de 2009. Ele permaneceu no cargo após a cassação do prefeito pelo T.R.E/MT, mas foi contra o apoio do seu partido a um candidato do PR - que era um adversário político histórico do PMDB no município.