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Hacker Delgatti diz que Bolsonaro “sabia e solicitou” invasão do CNJ

O hacker da Vaza Jato, preso por invadir sistema do CNJ e incluir mandado falso de prisão de Alexandre de Moraes, prestou depoimento à CPI

por Metrópoles

14 de Setembro de 2023, 14h54

Breno Esaki/Metrópoles
Breno Esaki/Metrópoles

O hacker da Vaza Jato, Walter Delgatti Neto, disse que o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) “sabia e solicitou” a invasão no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para inserção de documentos falsos.

Delgatti invadiu e colocou um mandado falso de prisão contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

O hacker prestou depoimento por videoconferência, nesta quinta-feira (14/9) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

O presidente da CPI, Chico Vigilante (PT), questionou se Bolsonaro sabia da invasão no sistema do CNJ. O hacker respondeu: “Tanto sabia quanto ele solicitou esse feito”.

Após o término do depoimento, Chico Vigilante disse à imprensa que as falas de Delgatti selam “a participação do ex-presidente na preparação dos atos golpistas”.

O hacker contou que participou de um café da manhã no Palácio da Alvorada com Bolsonaro, no qual Bolsonaro falou sobre as urnas eletrônicas e a teoria de implantação do comunismo no Brasil.

““Ele elogiou o que eu tinha feito com a Lava Jato, sim, ele elogiou e disse que eu tinha missão que seria salvar a liberdade do povo. Então, tendo acesso [às urnas eletrônicas] e mostrando ao povo [a fragilidade do sistema] seria a liberdade do Brasil”, afirmou.

Para Chico Vigilante, os atos antidemocráticos de 12 de dezembro e de 8 de janeiro só ocorreram porque “eles tramaram antes para que isso acontecesse”. “Agora, podemos afirmar, definitivamente, que o grande responsável por tudo isso chama-se Jair Bolsonaro”.

O deputado distrital Fábio Felix (PSol) disse que o depoimento de Delgatti comprova que Bolsonaro foi o “mentor intelectual” do plano de descredibilização das urnas eletrônicas. “Isso ficou claro porque ele [o ex-presidente] recebeu Delgatti no Palácio da Alvorada”, afirmou.

O relator da CPI, Hermeto (MDB), falou que aguarda a prova inédita citada por Delgatti no depoimento desta quinta-feira. O hacker disse que guarda uma conversa na qual Carla Zambelli (PL-SP) confessa participação na invasão do CNJ, que levou à prisão de Delgatti em agosto.

No início do depoimento, o hacker disse que foi “cooptado pela deputada Carla Zambelli, aonde recebi proposta para cometer irregularidades”. “Fui cooptado pelo ex-presidente com propostas semelhantes à da Carla Zambelli”, completou.

Depois, Delgatti disse que Zambelli e Bolsonaro “queriam um jeito de mostrar que o sistema era vulnerável”. “Então, tive a ideia de fazer o despacho e emitir a prisão aquela prisão Moraes como se fosse ele mandando ele prender ele mesmo”, declarou.

O hacker afirmou que o texto do documento foi enviado por Zambelli.