As mentiras e as verdades sobre o avanço da Dengue
15 de Janeiro de 2013, 17h23
Nos últimos dias temos visto muitas autoridades públicas ocuparem os meios de comunicação para cobrar maior envolvimento da população nas ações de combate à Dengue. Alguns chegam a culpar os cidadãos pelo avanço da doença, como se dependesse de nós - o povão - a definição das políticas públicas de enfrentamento ao Aedes aegypti, o transmissor da doença.
A verdade que não é dita é que não adianta nada o morador manter seu quintal limpo e sem focos, se não houver uma ação coletiva - o que devolve a responsabilidade aos gestores públicos.
A foto nesta página, por exemplo, mostra uma piscina abandonada no centro de Rondonópolis (ao lado do edifício Miquerinos). Só nela há espaço suficiente para garantir a proliferação de milhões de mosquitos. Porém, não há notícias de que o local tenha sido sequer visitado nos últimos anos.
Outra verdade não dita é que todos os anos são liberados milhões de reais para a realização de ações de prevenção e combate ao mosquito transmissor da Dengue. Porém, por incompetência ou malandragem, a maior parte desse dinheiro simplesmente some... E fica por isso mesmo.
Talvez esteja na hora dos secretários de saúde, prefeitos, governadores e a própria presidente da República pararem de tentar enganar a população e irem direto ao foco (sem trocadilhos) do problema. Precisam dar nomes aos bois, identificando e punindo os agentes públicos (com ou sem mandato eletivo) que prevaricaram. Preicsam também ter coragem para utilizar todos os recursos disponíveis para combater a dengue - incluindo reforço policial e autorizações judiciais para invadir residências abandonadas pelos especuladores de imóveis.
Enquanto não cessar a corrupção, a leniência, a incompetência, o descaso e a preguiça que imperam nos poderes públicos será impossível vencer a luta contra esse mosquitinho infernal.
Simples assim.