Demissões e cortes na Prefeitura podem ser insuficientes para fechamento de contas
15 de Outubro de 2012, 11h12
A Secretaria Municipal de Administração deve concluir e publicar até o final deste mês a lista com as demissões já anunciadas pelo prefeito Ananias Filho (PR). Segundo ele, pelo menos 1,5 mil servidores deverão perder o cargo dentro do programa de cortes visando adequar a prestação de contas da Prefeitura.
As medidas já eram esperadas, mas merecem uma análise atenta para serem melhor compreendidas. É que, seguindo um hábito revelado durante a campanha eleitoral, Ananias mais uma vez tenta jogar nos ombros alheios a responsabilidade por ações que só dependem dele. Desta vez a argumentação é de que as demissões e cortes foram determinados pela Justiça - o que é (para ser generoso) uma meia-verdade.
Sim, há uma decisão judicial proibindo a Prefeitura de renovar contratos e fazer novas admissões de servidores sem Concurso Público. Mas esta decisão existe praticamente desde que Ananias assumiu a Prefeitura. Ocorre que, além de protelar o cumprimento da decisão, o atual prefeito continuou inchando a máquina e aumentou despesas em várias áreas. Esse descontrole administrativo é, de fato, a causa das medidas desesperadas agora tomadas.
Outra meia-verdade proferida pelo prefeito é de que as demissões não vão afetar a prestação de serviços públicos. Tudo bem que há tempos a Prefeitura de Rondonópolis tornou-se um imenso 'cabide de empregos', mas é difícil acreditar que a demissão de tanta gente não comprometerá o funcionamento, por exemplo, das creches e Postos de Saúde.
A verdade inteira é que a população será prejudicada e há o risco de haver um sucateamento do Patrimônio Público. Isso porque o prefeito não adotou, no tempo certo, as medidas visando a austeridade e controle dos gastos públicos. Ele mostrou-se desprovido da eficiência que alardeava na campanha e agora precisa correr contra o relógio para evitar futuras ações de improbidade.
Outra verdade é que, pelo que sabemos sobre as dívidas já existentes, as demissões em massa de servidores com baixos salários pode ser insuficiente para equilibrar as contas e evitar o rótulo de improbo. Talvez seja mais eficaz fechar as torneiras que abastecem as 'empreiteiras amigas'. Elas continuam recebendo milhões da Prefeitura por obras e serviços, digamos, questionáveis...