Sacanagem!

Em depoimento na CPI da Copa, ex-diretores da Agecopa confessam que VLT nunca foi viável

por GazetaMT

15 de Outubro de 2015, 16h26

Em depoimento na CPI da Copa, ex-diretores da Agecopa confessam que VLT nunca foi viável
Em depoimento na CPI da Copa, ex-diretores da Agecopa confessam que VLT nunca foi viável

Os ex-diretores da extinta Agência Estadual de Execução dos Projetos da Copa do Mundo (Agecopa), Yenês Magalhães e Carlos Brito, prestaram depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) montada pela Assembleia Legislativa para investigar possíveis irregularidades na escolha e condução das obras da Copa de 2014. Em depoimentos longos e emocionados, ambos afirmaram em alto e bom som aquilo que grande parte da população do estado já sabe há tempos: que houve interferência política na escolha do modal VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que de acordo com dados técnicos apresentados pelos próprios ex-diretores, é inviável para a capital mato-grossense, devido ao número de passageiros que atenderia, cerca de metade do ideal.

De acordo com o ex-diretor de Planejamento e Gestão da Agecopa, Yenês Magalhães, houve um forte lobby político do ex-deputado José Riva (PSD), na época presidente da Assembleia, em favor do VLT, orçado inicialmente em cerca de R$ 700 milhões, mas cujo custo final deve ultrapassar os R$ 2 bilhões, já que estudos técnicos apontavam o BRT (Bus Rapid Transit), ou Transporte Rápido por Ônibus, como sendo o modelo ideal para a capital, deixando claro que a decisão foi baseada em qualquer fator, menos no interesse público.

Apenas para ilustrar, o BRT, cujo projeto é muito mais simples e fácil de implantação, custaria menos de um quarto do valor do VLT, ou cerca de R$ 500 milhões.

De acordo com o relatório técnico, há a necessidade de pelo menos 15 mil passageiros/hora para se viabilizar o VLT, enquanto que Cuiabá e Várzea Grande juntas não chegam ao número de 8 mil passageiros/hora, o que o tornaria totalmente inviável, devido principalmente aos seus altos custos de operação e de manutenção.

Os agora emocionados e arrependidos ex-diretores da Agecopa só não explicaram por que apoiaram e trabalharam por um projeto claramente prejudicial para o estado e quais seriam as razões que levaram à escolha de um modal de transporte inviável e absurdamente caro. O que se comenta à boca miúda é que os valores distribuídos em propina ficaram acima dos interesses públicos.

Cabe agora ao atual governador Pedro Taques (PSDB) descascar o indigesto abacaxi e encontrar uma saída para o imenso problema herdado das gestões Blairo Maggi (PR) e Silval Barbosa (PMDB), pois o mal feito não pode ser simplesmente desfeito, devido às várias centenas de milhões de reais gastos até agora na implantação do sistema.

O que o Buxixo espera é que os deputados apurem a fundo os crimes cometidos contra o erário público e que a Justiça puna com rigor os envolvidos, restituindo aos cofres públicos os valores desviados e que os mecanismos de controle e acompanhamento sejam mais efetivos e evitem que casos futuros voltem a acontecer.

Vamos acompanhar...