AUDIÊNCIA PÚBLICA
Botelho critica fala de diretor da Energisa e exige respeito para a população e deputados
A primeira audiência sobre a suposta cobrança abusiva na conta de energia elétrica no Estado, foi marcada por críticas e contradições.
15 de Outubro de 2019, 13h46
A primeira audiência pública que debateu a suposta cobrança abusiva na conta de energia elétrica em Mato Grosso, realizada na manhã desta terça-feira (15), foi marcada por críticas e vaias, na Assembleia Legislativa (AL), em Cuiabá.
O clima esquentou logo pela manhã, quando o diretor e presidente do grupo Energisa Riberto José Barbanera, afirmou durante coletiva de imprensa, que aos parlamentares não tem competência para legislar sobre as demandas do setor elétrico.
"A Energisa detém uma concessão federal no prazo de 30 anos, começou em 97 e vai até 2027. Compete a Agência Nacional de Energia Elétrica e ao Ministério de Minas e Energia discutir o contrato de concessão. Quem legisla setor elétrico no Brasil é exclusivamente a União, então não é de poder da assembleia remover a concessão da Energisa em Mato Grosso e de nenhum Estado do Brasil", declarou.
A fala do empresário foi criticada e classificada como “ruim” pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (DEM).
“Acho uma fala muito ruim do presidente. Acho que ele devia começar a respeitar o Parlamento e principalmente respeitar o povo de Mato Grosso. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) tem sim importância importância e todas as deliberações apontadas aqui serão encaminhadas a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que disse que vai estar aqui conosco. Então, ele já está começando errado em falar que a CPI não tem importância", disparou.
A empresa é alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Legislativo, que foi instaurada na semana passada. Isso ocorreu após intensas reclamações da população, sendo a empresa líder processos junto ao Procon, além de ser alvo de um abaixo-assinado que reuniu quase 10 mil assinaturas.
O diretor da CPI é o deputado Elizeu Nascimento (DC), que chegou a afirmar, a depender do andamento dos trabalhos, a empresa poderia chegar a perder a concessão dos serviços no Estado.
Os demais membros da comissão deverão ser indicados ao longo desta semana.
Admite falha
Para Barbanera, foi uma surpresa receber a informação sobre a instauração da CPI, mas ponderou que todos os esclarecimentos necessários serão prestados.
“Nós temos transparência total nas tarifas, que são praticadas, homologadas e definidas pela Aneel. Temos transparência total nas nossas contas, inclusive, hoje às 20h eu estarei em São Paulo recebendo um prêmio pela transparência nas nossas demonstrações financeiras. Todos os nossos compromissos do contrato de concessão são objeto de cumprimento, vou mostrar hoje. Temos problemas? Temos sim. A gente herdou uma empresa há cinco anos que era muito carente de investimentos, o Estado era muito carente de energia elétrica, o interior sofria demais e a Capital também. E nós fizemos quase R$ 3 bilhões em investimentos para colocar essa casa em ordem. Isso tem melhorada, mas a gente sabe que ainda não chegou onde tem que chegar”, destacou presidente da empresa.
"Estamos tranquilos. A empresa não tem nada a esconder. O Grupo Energisa está há 114 anos no mercado do setor elétrico. Nenhuma empresa sobrevive tanto tempo se não for séria", explicou.
Diretor vaiado
Durante suas explanações na tribuna durante audiência, o diretor e presidente da Energisa Ribeiro José, foi duramente vaiado e criticado pela população que acompanhava o debate na AL.
Em determinado momento de sua fala, as vaias foram intensificadas e a população que acompanhava a fala de Barbanera começaram a gritar “Fora Energisa”.