NO RIO DE JANEIRO

GSI alega 'violência urbana' para justificar parentes de Bolsonaro em helicóptero presidencial

por G1

15 de Outubro de 2019, 06h50

GSI alega 'violência urbana' para justificar parentes de Bolsonaro em helicóptero presidencial
GSI alega 'violência urbana' para justificar parentes de Bolsonaro em helicóptero presidencial

O Gabinete de Segurança Institucional citou a "notória violência urbana que assola o Rio de Janeiro" para justificar o uso de dois helicópteros da Presidência da República para transportar parentes do presidente Jair Bolsonaro para o casamento do filho e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), em maio. A cerimônia aconteceu em Santa Teresa, região central da cidade.

A resposta do gabinete comandado por Augusto Heleno foi publicada nesta segunda-feira (14) pelo jornal "O Globo". A justificativa consta da resposta a um requerimento de informação feito pelo deputado federal Marcelo Calero (Cidadania).

O documento assinado pelo ministro Augusto Heleno nega que tenha havido improbidade administrativa.

"O Coordenador de Segurança de Área julgou pertinente que houvesse o deslocamento aéreo, em parte do trajeto, em virtude da notória violência urbana que assola o Rio de Janeiro", diz o texto.

Na aeronave principal, Bolsonaro viajou ao lado do filho Jair Renan Bolsonaro. Em outra, embarcaram oito convidados.

O GSI alega que foram disponibilizados dois helicópteros para o caso de um deles falhar. Diz ainda que não houve "alocação de recursos adicionais" ao transportar toda uma comitiva.

Texto cita 'abalo moral' em caso de ataque

De carro, o trajeto de 35 km entre o aeroportos de Jacarepaguá (Bolsonaro tem residência no bairro vizinho, na Barra da Tijuca) e Santos Dumont (no Centro do Rio, próximo a Santa Teresa) dura cerca de 35 minutos. De helicóptero, foram 14.

No requerimento, Calero questionou por que os parentes não usaram um automóvel e quis saber se isso não seria mais barato. O GSI respondeu que não.

"O eventual deslocamento dos mesmos em comboio terrestre, além de aumentar consideravelmente o nível de risco, aumentaria os custos da manobra, haja vista que também é encargo deste GSI prover a segurança dos familiares do Senhor Presidente da República", diz a resposta.

No documento, datado de 4 de outubro, o ministro Augusto Heleno diz ainda que um eventual ataque à comitiva traria uma imagem ruim para o país — além de causar mal ao próprio presidente.

"Afigura-se claramente que o escopo do legislador foi proteger permanentemente a integridade física e moral do presidente, enquanto autoridade máxima da República. Ora, isso ocorre porque qualquer dano causado a um familiar do presidente, por óbvio, lhe causaria um desnecessário dissabor e, mais que isso, o abalo moral que o evento lhe infringisse repercutiria negativamente para imagem do Brasil."

À época da revelação do caso pelo G1, o GSI já atribuído a "razões de segurança" a decisão de transportar o presidente e familiares em helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB).

Segundo essa versão, como o casamento seria em Santa Teresa, eles passariam por algumas comunidades perigosas.