operação canindé
Juiz arbitral estava envolvido com quadrilha que aplicou golpes de R$ 2 mi em MS e MT
Golpistas montaram uma empresa de fachada para comprar maquinários
15 de Dezembro de 2016, 13h11
O grupo de criminosos desarticulado no último dia 6 de dezembro em operação da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (Deco), teve 11 pessoas presas, dentre esses criminosos, um juiz arbitral. Quadrilha especializada em estelionato aplicou golpes que somados, atingem R$ 2 milhões.
A sede da empresa chamada Soares Rocha Construtora LTDA ficava localizada no bairro Itamaracá, em Campo Grande, e fez vítimas em São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul. Prisões dos estelionatários foram feitas simultaneamente com apoio de outras unidades da Polícia Civil no MS e MT, conforme a delegada titular da Deco, Ana Cláudia Medina.
“Eles aplicavam o crime conhecido como golpe da arara. Assim que faziam as vítimas com a empresa de fachada, 'batiam asas' e sumiam, por isso o nome. Eles apresentavam a empresa com toda uma estrutura, credibilidade e de repente sumiam deixando para trás os prejuízos para as vítimas”, explicou Medina.
Foram recuperados 5 maquinários, além da apreensão de 5 veículos de luxo, uma motocicleta e vários documentos fraudados que provam a participação de todos os envolvidos.
De acordo com a delegada, Mato Grosso do Sul foi usado para sediar a falsa empresa pela localização geográfica e maquinários que aqui são fornecidos. Uma pessoa ainda está sendo investigada.
PRESOS
Foram presos em Rondonópolis (Mato Grosso) Joy Emerson Santin, de 44 anos, o “cabeça” da quadrilha, se apresentava como dono da Soares Rocha Construtora; Fabiana Artur da Silva, de 40 anos, que seria a suposta atendente de balcão da empresa; Hermes Magno Santana, de 30 anos, atuava como representante comercial; Higor Ferreira Lima, de 25 anos, também representante comercial;
Também na cidade mato-grossense, Marina Moyses, de 52 anos, foi presa, sendo ela quem atuava no setor financeiro; Vitor Renato Alves Barbosa, de 34 anos, era o “laranja” da empresa, fingia ser comprador e emitia notas fiscais; Nelson Angelino, 57 anos, que atuava como gerente da empresa e tinha um registro de juiz arbitral - que atua na justiça privada Tribunal de Justiça Arbitral e de Mediação. Este profissional não precisa ser formado em Direito, precisa ter especialização em pelo menos uma área do conhecimento humano e passar por curso técnico.
Em Campo Grande, foram presos Tércio Moacir Brandino, de 54 anos, contador da Soares Rocha Construtora; Ademilson Paulo Ferreira Jaques, de 37 anos, e Jackson José Santos Orue, de 37 anos, que atuavam como representantes comerciais; Já em Cuiabá, foi preso Wagner Baggio, de 34 anos, era o responsável pela logística.
Os suspeitos responderão por organização criminosa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, estelionato, falsificação de documento público e privado. Pena somada para todos os crimes é de mais de 70 anos de prisão.
CASO
A quadrilha comprava maquinários agrícolas em nome da construtora Soares Rocha. O grupo aplicou golpe em, até então, 12 vítimas, que venderam as máquinas para a empresa e nunca receberam os pagamentos.
A maior parte do maquinário, que era revendido pela quadrilha, estava no Mato Grosso e, por isso, a operação Canindé teve o estado vizinho como alvo. A Deco teve apoio da Delegacia Regional e Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis, além do Grupo Especializado de Cuiabá.
Na Capital sul-mato-grossense, participaram da operação a Delegacia Especializada a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) e Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar).
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