Maria Nilde Santos Ferreira Alves

Língua brasileira de sinais

por Maria Nilde Santos Ferreira Alve

15 de Dezembro de 2020, 09h39

Foto: divulgação
Foto: divulgação

Considerando o cenário da Educação Especial, nota-se que a aprendizagem da Língua de Sinais torna-se um desafio dentro da Língua Portuguesa para quem é ouvinte, porque as duas andam juntas. São sempre situações em que o aluno realiza, constrói e se apropria de conhecimento das mais diversas ordens. As mesmas possibilitam, igualmente, a construção de categorias e a ampliação dos conceitos das várias áreas do conhecimento. Neste aspecto a LIBRAS e a Língua Portuguesa assumem papel didático e podem ser explorados no processo educativo.

As pessoas com surdez enfrentam inúmeros entraves para participar da educação escolar, decorrentes da perda da audição e da forma como se estruturam as propostas educacionais das escolas. Muitos alunos com surdez podem ser prejudicados pela falta de estímulos adequados ao seu potencial cognitivo, sócio afetivo, linguístico e político-cultural e ter perdas consideráveis no desenvolvimento da aprendizagem.

Estudos realizados na última década do século XX e início do século XXI, por diversos autores e pesquisadores oferecem contribuições à educadores de alunos com surdez na escola comum ressaltando a valorização das diferenças no convívio social e o conhecimento do potencial de cada ser humano.

A inclusão do aluno com surdez deve acontecer desde a educação infantil até educação superior, garantindo-lhe, desde cedo, utilizar os recursos de que necessita para superar as barreiras no processo educacional e usufruir seus direitos escolares, exercendo sua cidadania, de acordo com os princípios constitucionais do nosso país.

Nos dias atuais evidenciamos que a exclusão contra o surdo ainda é bastante presente, pois nota-se que o docente (da sala de aula regular) quando aplica algumas atividades na sala de aula para os educandos que se dizem “normais”, os alunos com surdez se tornam excluídos dos demais, pois os mesmos não conseguem acompanhar os colegas de sala nos trabalhos propostos pela professora. Observamos que a maioria dos educadores não estão preparados para lidar com este tipo de problema, falta para os mesmos uma boa formação na Língua Brasileira de Sinais.

Acreditamos que seja o momento para o poder público rever seus conceitos em relação as pessoas surdas, além de colocar um intérprete de LIBRAS em cada sala de aula onde existem surdos, poderia se pensar no ensino dessa língua nas escolas de ensino regular para que dessa forma caminhemos para a inclusão social.

As pessoas com surdez devem continuar lutando pelos seus direitos na sociedade e jamais se tornarem passivas, pois sua contribuição é valiosa para a evolução do Estado, assim como para todas as regiões do país.

Maria Nilde Santos Ferreira Alves, Professora da Educação Infantil da Rede Municipal e Especialista em Psicopedagogia Clinica e Institucional.