Discussão sobre retomada da Semasp ignora problemas reais e deveres do município

por GazetaMT

15 de Fevereiro de 2013, 11h12

Discussão sobre retomada da Semasp ignora problemas reais e deveres do município
Discussão sobre retomada da Semasp ignora problemas reais e deveres do município

O Tribunal de Contas de Mato Grosso cobra explicações sobre as rotatórias, o Ministério Público quer o cancelamento de alienações de áreas públicas feitas no ano passado, os motoristas reclamam dos buracos e a sociedade em geral aguarda ainda melhorias substanciais na Saúde e no abastecimento de água. Mas nenhuma desses temas, que, aliás, remetem às obrigações do município (Prefeitura e Câmara), parecem merecer a atenção de alguns vereadores da atual legislatura.

Na sessão de ontem (14) 'perderam' um tempo danado discutindo a reativação da Secretaria Municipal de Apoio à Segurança Pública - SEMASP, para cuidar de uma área que, segundo a Constituição Federal, é responsabilidade do Estado e da União.

Criada no ano passado como bandeira eleitoral, a tal secretaria consumiu alguns milhões de reais do município e não conseguiu atingir a meta de reduzir a criminalidade. Na época, o então candidato Percival Muniz criticou a 'pirotecnia' e disse que poderia manter a pasta, mas com adequações na forma e rigor nas metas.

O Buxixo ouviu dizer que a retomada do assunto agora tem motivações espúrias. Mas a questão é que, apesar de relevante, essa discussão precisa ocorrer no tempo certo, com foco e sem mentiras.

O momento agora não é de direcionar recursos municipais para cobrir as lacunas deixadas pelo Estado e pela União. A Câmara e a Prefeitura primeiro devem cumprir suas responsabilidades - seja garantindo o bom funcionamento dos serviços públicos, o zelo pelo patrimônio do município (ruas e avenidas inclusas) e a transparência (atendendo, por exemplo, os questionamentos do TCE-MT e do MP).

No tempo certo, e com recursos disponíveis, poderemos até investir diretamente na Segurança Pública. Mas, é bom que se diga, esse investimento deve ocorrer como um auxílio, e não em substituição às forças policiais legalmente constituídas.

Até lá, se quiserem mesmo melhorias na Segurança, os nossos vereadores e representantes do Executivo Municipal podem cobrar os investimentos negados pelo Governo do Estado e pela União. Essa cobrança pode ser feita através do diálogo ou mesmo via judicialização - já que há indícios de que a cidade tem sido discriminada no que diz respeito aos investimentos nesta área.

Esse é o caminho para resolver o problema. Mas, se o objetivo for apenas fazer demagogia...