FORAGIDO HÁ 17 ANOS
Acusado de torturar e assassinar pescadores, ex-pistoleiro de Arcanjo é preso em Sergipe
O criminoso tinha dois mandados de prisão em aberto. De acordo com a polícia, ele utilizava documentos falsos.
15 de Abril de 2021, 17h00
O ex-pistoleiro, Édio Gomes Júnior, conhecido pela alcunha de “Edinho”, acusado de participar de uma chacina na propriedade do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, foi preso nesta quinta-feira (15) em Sergipe.
A chacina aconteceu na Fazenda São João localizada na cidade de Jangada no ano de 2004. Na ocasião, Pedro Francisco da Silva, José Pereira de Almeida, Itamar Batista Barcelos e Areli Manoel de Oliveira foram torturados e executados.
De acordo com o delegado Fausto José de Freitas da Silva da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), as vítimas entraram na propriedade do ex-comendador para pescar.
Edinho e mais oito seguranças chegaram atirando contra o grupo de invasores.
"Segundo relatos de algum dos acusados já ouvidos pela Justiça, os seguranças chegaram atirando ao perceber o grupo na beiro de um lago. Os disparos acabaram atingindo Itamar que morreu na hora. Daí, os seguranças renderam as demais vítimas que foram levadas para a fazenda. Eles chegaram a fazer uma reunião onde decidiram executar os outros três sobreviventes, para que eles não pudessem, depois, identificá-los. As vítimas foram torturadas, afogadas e baleadas".

Após o crime, Edinho sumiu. O delegado afirmou que ele utilizou de documentos falsos para fugir da Justiça.
“A gente começou achar estranho algumas coisas, pois não se via movimentações atuais dele. Era como se ele tivesse morrido a partir do momento do momento que o mandado de prisão foi expedido. Isso despertou nossa curiosidade de começar a trabalhar nessa situação. Fomos trabalhando com sistema que temos em mão, através no Núcleo de Inteligência, e depois de algum tempo, fazendo vários cruzamentos, conseguimos constatar que ele possivelmente estaria na cidade de Barra dos Coqueiros”, acrescentou.
“Isso corrobora com o sumiço dele. Ele estava com certidão de nascimento com outro nome, CPF, constituiu família e estava trabalhando” afirma o delegado Fausto.
A prisão de Édio ocorreu depois que a polícia sergipana recebeu pedido de diligências da Polícia Civil de Mato Grosso. Edio Gomes residia na praia Atalaia Nova, no município de Barra dos Coqueiros, há cerca de quatro anos.
No momento da prisão, ele estava em posse de diversos documentos falsos em nome de Edy Carlos Rodrigues de Lima, e confessou que os adquiriu para tentar fugir da polícia.
Agora, de acordo com o delegado titular da DHPP, os procedimentos para transferência do acusado estão sendo tomados.
“O Estado vai providenciar uma equipe para fazer a escolta dele de Sergipe de volta para Mato Grosso para que ele responder ao processo”.
Envolvidos na chacina
De acordo com a denúncia, o gerente do setor de pescas da fazenda, Joilson James Queiroz, e os seguranças Noreci Ferreira Gomes, Valdinei, Evandro Negrão, Édio Gomes Júnior, o “Edinho”, Alderi Souza Ferreira, o "Tocandira", Adeverval José Santos, o “Paraíba”, e Carlos César André, o “Pezão”. foram apontados como executores dos homicídios.
A defesa de Arcanjo, patrocinada pelo advogado Paulo Fabrini, se posicionou por meio de nota.
Veja na íntegra:
Acerca da matéria intitulada “Ex-pistoleiro de Arcanjo é preso por envolvimento em chacina com quatro mortos” publicada neste respeitável sítio de notícias, objetivando restabelecer a verdade, a defesa de João Arcanjo Ribeiro vem a público para dizer que:
(i) O sr. Édio Gomes da Silva, preso na data de hoje, trabalhou como motorista da casa de João Arcanjo Ribeiro até o ano de 2002, oportunidade em que foi desligado das suas funções;
(ii) Ao que consta, o único crime a que este cidadão responde foi cometido no ano de 2004, oportunidade em que João Arcanjo Ribeiro estava preso e incomunicável no Uruguai e que já não mais trabalhava como motorista;
(iii) Acerca da mencionada “Chacina da Fazenda São João”, o Sr. João Arcanjo Ribeiro nunca foi indiciado e/ou denunciado pelos fatos ocorridos, pois, como dito, encontrava-se preso e incomunicável no Uruguai;
(iv) A Fazenda São João, na época dos fatos, era gerenciada pelo Sr. Joilson James Queiroz, que vem a ser irmão do ex-genro do Sr. João Arcanjo Ribeiro, não tendo este último qualquer espécie de ingerência na administração do imóvel naquela época
Por fim, trata-se de uma vilania sem precedentes tentar vincular o nome do Sr. João Arcanjo Ribeiro a esta prisão e ao episódio a ela atrelado, uma vez que, repita-se, nunca houve indiciamento e/ou denúncia contra aquele.