Agronegócios

Pela primeira vez em seis anos safra brasileira de grãos não vai ser recorde

Safra 2015/2016 deve ser de pouco mais de 202 milhões de toneladas. São quase 7 milhões a menos do que indicou o levantamento de abril

por GazetaMT

15 de Maio de 2016, 10h00

Pela primeira vez em seis anos safra brasileira de grãos não vai ser recorde
Pela primeira vez em seis anos safra brasileira de grãos não vai ser recorde

A safra de milho deverá ficar bem abaixo do que era previsto pela CONAB. Com isso, após sucessivos recordes, a produção de grãos deste ano será menor do que a produção da safra anterior. O 8º levantamento da CONAB mostra que a safra 2015/2016 deve ser de mais de 202 milhões de toneladas. O volume é elevado, mas ainda assim, são 6,62 milhões de toneladas a menos do que o apontado no levantamento de abril - uma queda de 3,16%.

Se compararmos com a safra 2014/2015 a redução é de aproximadamente 5,3 milhões de toneladas - queda de  2,5% de um ano para o outro.
Segundo o presidente interino do CONAB, Igor dos Santos Nascimento, a falta de chuva vem colaborando para a queda na produção. "Essa quebra que se dá devido a escassez de chuva no periodo e o aumento da temperatura e também se você for ver aí, tivemos os produtores que plantaram fora da janela em comparação ao ano passado, a janela do ano pasado teve um momento certo, mas esse ano eles retardaram mais um mes. O milho safrinha foi o que mais sofreu com a instabilidade do clima. O produto é o grande responsável pelo recuo na projeção da safra. A estimativa é que o Brasil colha neste ano 53 milhões de toneladas - 4 milhões abaixo do que se previa em abril, ou seja: queda de 7%. Mas, em relação à safra 2014/2015, a redução é um pouco menor, de 3%.

Goiás é um dos estados que apresentam uma forte queda na produção do milho. Segundo um levantamento feito por uma universidade de Rio Verde-GO,  o mês de abril desse ano foi o mais seco dos últimos 20 anos na região. O engenheiro ambiental Gilmar Oliveira está preocupado: "chove, na média, 93 mm no mês de abril. E se nós pegarmos o mês de abril de 2016, não caiu uma gota de chuva aqui nessa região".
A previsão, que em fevereiro era de colher 7,7 milhões de toneladas, deve cair para 5,5 milhões (IBGE).

Em SC, os criadores  de suínos sentem o impacto da produção menor e dos preços mais altos do milho. Uma família de criadores de Chapecó, no oeste catarinense, abandonou o ciclo completo de criação dos suínos e hoje trabalha só com a reprodução dos leitões. Mas nos últimos meses a situação começou a complicar. O problema foi o aumento preço do milho que representa 75% da ração dos animais. Felix Muraro comenta que no ano passado, a saca de milho que era encontrada por cerca de R$ 25, agora em 2016 não sai por menos de R$ 52.

Enquanto o preço do milho subiu, o do suíno que está em queda. Em 2015, nessa mesma época, o criador recebia pelo quilo do animal R$ 3,30. Agora não passa de R$ 2,80. Isso se reflete nos custos de produção. "Cada vez mais a gente ta vendo o custo de produção subir e o preço cair. Então ficou uma diferença muito grande para a suinocultura", lamenta Felix.

A situação atinge também as agroindústrias que trabalham com o sistema de integração. Mário Lanznaster, presidente de uma cooperativa, a solução foi buscar milho fora do Brasil. Eles utilizam 90 mil sacas de milho por dia, para alimentar as 34 milhões de aves e 1 milhão de suínos dos agricultores integrados e estão importando o produto da Argentina. A expectativa pra quem depende da criação de animais é que, para as próximas safras, o preço do milho volte a baixar.