NA MADRUGADA

Pacientes dormem na fila para tentar fazer exames

Lacen distribui em média 100 senhas/dia e muita gente vai embora sem atendimento

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15 de Maio de 2017, 11h03

Pacientes dormem na fila para tentar fazer exames
Pacientes dormem na fila para tentar fazer exames

As constantes reclamações de pacientes que vão até o Laboratório Central de Rondonópolis têm base na redução e controle no número de atendimentos. A reportagem do GazetaMT apurou que, para tentar garantir a coleta de exames, muita gente entra na fila ainda de madrugada. "Cheguei um dia às 4h da manhã e na hora de pagar a senha não tinha mais. Muita gente foi mandada embora sem atendimento", reclamou uma paciente.  

A responsável técnica do Lacen, a biomédica Renata Barbosa, disse que tem vários fatores que contribuem para o aumento da demanda no Laboratório. "A primeira questão é que atendemos hoje muitos pacientes de municípios vizinhos, que não têm pactuação com o Lacen. Outro fator é a realidade da cidade mesmo, que cresce rápido e cresce também a demanda no setor de Saúde em geral. Temos ainda que considerar o próprio paciente, que muitas vezes, insatisfeito com o tratamento, busca outro médico e faz novos exames até mesmo sem necessidade", explica a biomédica.A biomédica Renata garante que as urgências são atendidas e que é preciso distribuir  a coleta nas unidades. Foto: Luan Dourado/GazetaMT

Na verdade a sobrecarga no Laboratório Central tem outros motivos que poderiam suavizar a procura no Lacen. Rondonópolis tem mais nove postos de coleta, estrategicamente localizados e que nem sempre são procurados pelos pacientes.  

"Contamos com postos de coleta no Jardim Europa, Nossa Senhora do Amparo, Luz D'Yara, Policlínica Itamaraty, Conjunto São José, São Francisco, Vila Olinda, Vila Rica e Policlínica Central. Esta descentralização facilita a vida do cidadão, que retira o sangue, por exemplo, em seu bairro. Não precisa se deslocar até o laboratório", ressaltou Renata.

No mês de março foram realizados 62.234 exames no Lacen, já em abril foram 50.800. "Não adianta atender a todos que nos procuram e chegar em outubro e termos de restringir ao máximo por falta de reagentes ou outros produtos indispensáveis para a realização de exames. Por isso é necessário o controle mensal", explica Renata que garante que nenhuma solicitação de urgência fica sem atendimento, mesmo que ultrapasse a média diária.    

Para o gerente da Atenção Básica da Secretaria de Saúde, Marcelo Miranda, o que precisa ser feito com urgência é o controle de todas as unidades de saúde de Rondonópolis. "Temos um projeto de integração da unidades e a implantação do prontuário eletrônico. Assim um mesmo paciente seria controlado e não usaria o sistema várias vezes, sem necessidade, e daria espaço para o atendimento de todos. O controle seria on line em toda a rede. A cada busca por atendimento, apareceria o histórico do paciente, com as últimas consultas e últimos exames realizados. Além disso teríamos condições de monitorar se o paciente é da cidade ou de outros municípios. É importante salientar que todo este sistema moderno e eficiente já está sendo implantado. Temos o levantamento de logística pronto e estamos em processo de compra dos computadores e do sistema".Os equipamentos de última geração garantem a qualidade dos resultados. Foto: Luan Dourado/GazetaMT

A princípio serão interligados o Lacen, a UPA , o Ceadas e o PA Infantil. Até o fim deste ano todas as unidades de saúde estarão interligadas. "Acreditamos que muitos problemas serão resolvidos com o novo sistema. Até lá, vamos administrando a sobrecarga no Lacen sem deixar pacientes de urgência sem atendimento", disse Marcelo Miranda.

O Laboratório Central funciona 24 horas por dia e atende a demanda da Unidade de Pronto Atendimento - UPA, o Hospital Infantil e os terceiros turnos. A coleta de exames é feita de manhã, até às 9h e a entrega de resultados é até às 17h. Além dos pacientes que fazem os exames no Lacen (média de 100 por dia), são processados os exames vindos dos nove postos de coleta.

O ideal para manter atendimento de excelência, dentro dos padrões recomendados pelo Programa Nacional de Controle de Qualidade - PNCQ, do Ministério da Saúde, é realizar uma média de 50 a 55 mil exames por mês.