OPINIÃO

Crédito para consumo urgente

por Junior Macagnam

15 de Julho de 2022, 09h47

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Divulgação

À medida que nos aproximamos de mais um período eleitoral, o debate doméstico sobre a saúde econômica das famílias se torna cada dia mais frequente nas casas dos brasileiros. Afetado pelas consequências da pandemia de Covid-19 e com esforços concentrados em áreas que até então jamais tinha demandado tamanha atenção, o executivo e legislativo federal não conseguiram concentrar as energias no que mais importa para os brasileiros: as reformas tributária e política. Fica aqui essa reflexão para o dia do comerciante, comemorado neste sábado dia 16 de julho.

Com uma inflação de dois dígitos, de 11,89% nos últimos 12 meses e de 5,49% em 2022 (medida IPCA), e mais de 11 milhões de desempregados no país, o poder de compra do cidadão diminui a cada nova pesquisa, situação comprovada a cada ida ao supermercado, onde os brasileiros deixam cada vez mais dinheiro e levam menos produtos.

Em meio a esse contexto econômico, e com a cena política já movimentada, o que se observa é a polarização entre dois principais candidatos à presidência, com soluções antigas para problemas novos. As discussões ocorrem em diferentes ambientes, mas pouco se trabalha em função da solução dos problemas graves enfrentados no país. O toma lá dá cá e a troca de provocações e acusações chamam mais atenção do que a apresentação de propostas para melhorar a vida da população.

A nossa realidade econômica pode ser melhor se fizermos a lição de casa e pressionarmos pelo avanço das reformas, essenciais para o desenvolvimento do país. Sabemos do nosso potencial, principalmente pelos resultados alcançados no setor que sustenta nossa economia, o agronegócio, mas não podemos deixar de lado o setor que mais emprega no país, o  comércio.

Muitas vezes prejudicado pela alta carga tributária, o varejo assim como quase todos os setores também foi afetado pela pandemia. E quando o ganho das famílias vai mal é um dos setores mais afetados. Uma das formas para aumentar e incentivar o consumo é a possibilidade do parcelamento das compras, e que muitas vezes é oferecida pelo crediário interno das redes varejistas ou lojas. E essa modalidade poderia ser melhor aproveitada caso o crédito não estivesse tão escasso e caro.

O crédito ao consumo seria uma forma de incentivar as vendas no comércio, o que provocaria desempenho melhor do setor e por consequência beneficiaria a indústria local. É claro que o crédito ao consumo deve ser feito de forma consciente para que não estimule o endividamento das famílias.

De acordo com o Banco Central, no Brasil o crédito às pessoas físicas representa apenas 22,1% do PIB. Comparando os nossos patamares atuais de crédito ao consumo, como porcentagem do PIB, com outros países, a exemplo dos EUA, França, Itália, Inglaterra, nota-se que nosso percentual é significativamente baixo, com potencial importante de crescimento.

A concentração é outro problema em relação à oferta de crédito às pessoas físicas. Em 2018, as cinco maiores instituições financeiras (CEF, BB, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander) detinham 80,1% de todo o crédito a pessoas físicas. Existe interesse do BC em promover a desconcentração da oferta de crédito, mas deveria ser um processo acelerado mais em benefício de todos os setores econômicos.

Precisamos estar comprometidos com o futuro e avançarmos em temas estruturantes e estratégicos para o desenvolvimento no longo prazo e assim capitalizar em cima do potencial que possuímos. Ou assumimos nossas responsabilidades na busca de transformações políticas e econômicas ou vamos ficar nessa desagradável discussão dos políticos ruins por muito mais tempo sem resolver problemas graves que afetam a vida do cidadão comum.

Junior Macagnam - é empreendedor, ativista cívico e vice-presidente da CDL e da Fecomércio-MT.