Justificando

Vereadores médicos dão explicações diferentes sobre voto contrário à divulgação de plantonistas

Hélio Pichioni (PR) não acredita que medida será cumprida; Manoel da Silva Neto (PMDB) disse que votou contra por engano.

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15 de Agosto de 2013, 05h00

Vereadores médicos dão explicações diferentes sobre voto contrário à divulgação de plantonistas
Vereadores médicos dão explicações diferentes sobre voto contrário à divulgação de plantonistas

Manoel da Silva Neto disse ser favorável, mas teme problemas com a medidaOs vereadores Manoel da Silva Neto (PMDB) e Hélio Pichioni (PR) foram os únicos que votaram contra o projeto que obriga a Prefeitura de Rondonópolis a divulgar na internet os nomes dos médicos escalados para cumprir plantões nas unidades de Saúde do município. Em conversa com a reportagem do GazetaMT os dois criticaram a medida, mas Manoel alega ter se confundido ao votar.

"Só se eu votei errado, só se entendi errado. Mas não sou contra não. Se for para colaborar com a transparência, tudo bem", disse Manoel.

Após a reportagem confirmar o registro oficial da votação, o vereador ponderou que é preciso tomar cuidado para evitar possíveis prejuízos causados pela divulgação. O maior deles seria o risco de sobrecargas nos plantões dos médicos mais conhecidos ou conceituados.

Manoel da Silva Neto também disse temer que, sabendo com antecedência a relação dos plantonistas, os usuários abarrotem as unidades de plantão para buscar serviços que poderiam ser obtidos nos horários normais das unidades de Saúde.

"O plantonista da maternidade, por exemplo, está lá para atender casos de urgência e emergência, não para prestar consultas que podem ser feitas no Posto de Saúde. O paciente tem o direito de saber quem o atendeu, mas a informação prévia pode gerar uma tentativa de escolher o médico. Corre-se o risco de concentrar a demanda em determinadas datas e as unidades de Saúde não estão preparadas para isso", avalia.

"Não vira nada"
Já o vereador Hélio Pichioni, que também é médico obstetra, afirma ter votado conscientemente contra a aprovação do projeto. Para ele, a medida é inócua e fadada ao fracasso devido ao desinteresse dos usuários e da própria Prefeitura.

Hélio Pichioni afirma que médicos não têm medo da divulgação. "Quem vai fiscalizar? Quem vai ler isso? É uma minoria que tem acesso a internet. Além disso, não há interesse do Executivo. É mais um projeto que ficará sem cumprimento. Eu não quis votar só por votar", afirmou.

Pichioni disse que ele e os colegas médicos não temem a divulgação dos nomes na internet. Ex-presidente da Câmara, ele afirma que os projetos aprovados no Legislativo só prosperam quando há interesse do Executivo. Como exemplos citou os projetos 'Plante Um Árvore', do ex-vereador João Gomes, o que obriga o uso de focinheiras em cães, do ex-vereador Ananias Filho, e também o 'Teste do Coraçãozinho', apresentado pelo próprio Pichioni e aprovado há cerca de dois anos.

"Não sei o prefeito vai vetar esse projeto aprovado hoje, mas provavelmente terá o mesmo destino dos outros. Deve cair no esquecimento dentro de dois meses. Não vai para frente. É uma coisa que não vira nada", finalizou.

Outro lado
O autor do projeto, vereador Ibrahim Zaher (PSD), disse respeitar a opinião dos colegas, mas afirmou estar confiante na aplicação da medida pelo Executivo.

"O projeto não onera o município e, à partir da sanção, vamos cobrar para que se coloque em prática. O prefeito Percival Muniz recebeu a administração com muitos gargalos e já houve um grande avanço. Este projeto é uma forma de avançarmos mais, com políticas públicas eficientes e transparentes", defende.

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