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Discussão entre Reginaldo e Thiago Muniz não afeta unidade da bancada, diz Cadidé
Os dois vereadores do PPS trocaram farpas em público durante a sessão ordinária, mas consideram que fato faz parte da ação política.
15 de Agosto de 2013, 18h42
O líder do prefeito na Câmara Municipal, Aristóteles Cadidé (PDT), minimizou os efeitos da acalorada discussão corrida na quarta-feira (14) entre os vereadores Reginaldo Santos e Tiago Muniz - ambos do PPS e integrantes da base de apoio ao Executivo. Segundo ele, as divergências fazem parte do ambiente democrático e não significam rupturas ou cisões dentro do grupo.
"Não vejo problemas, isso é natural. Eles são da mesma legenda e acredito que vão se reunir nos próximos dias para resolver as arestas internamente, no âmbito partidário. Na próxima sessão já estará tudo bem", avaliou.
A discussão ocorreu logo após a aprovação do projeto concedendo reajuste de cinco por cento para os servidores da rede municipal de Educação. Ao justificar o voto, Reginaldo Santos aproveitou para tecer duras críticas ao tratamento que estaria sendo dispensado pela administração aos funcionários públicos.
Reginaldo disse que o questionamento judicial aos benefícios pagos pela Prefeitura, como a produtividade, tem gerado insegurança na categoria e denotaria uma desvalorização dos servidores municipais. Ele criticou nominalmente o atual secretário de Governo, Fabrício Correa, que anteriormente ocupava a função de subprocurador geral do município. Fabrício estava acompanhando a sessão ordinária na Câmara durante o discurso de Reginaldo.
"Não se pode tratar os servidores com ameaças, na base do rigor legal. O senhor hoje é conhecido como 'Dr. Adin' nos corredores da Prefeitura", disse o vereador aludindo às ações de inconstitucionalidade impetradas contra benefícios considerados ilegais. "Não podemos deixar os companheiros na estrada. Fui companheiro quando estava fora do poder e exijo respeito", concluiu Reginaldo.
Thiago Muniz considerou as declarações ofensivas e na sequência foi à tribuna da Câmara para contrapor o colega de partido. Ele afirmou que, além de ter sido 'companheiro' antes da vitória eleitoral do PPS no ano passado, não tinha cargos na gestão do ex-prefeito José Carlos do Pátio. Para ele, as declarações de Reginaldo poderiam ser compreendidas como um ato de infidelidade ao partido.
"Todos nós podemos fazer críticas, mas, como integrante do PPS, é bom que antes faça a discussão interna sob pena de incorrer em infidelidade partidária. Vossa excelência precisa medir as palavras e respeitar as pessoas que foram convocadas para compor o governo. O doutor Fabrício foi nomeado para exercer um trabalho técnico e não político. A obrigação dele é cumprir a lei e não é justo desrespeitá-lo por isso", reclamou.
Thiago e Reginaldo votaram a favor do reajuste salarial e, apesar da troca de farpas, disseram que reconhecem e valorizam os servidores.
Desculpas
Após a intervenção de Thiago Muniz, Reginaldo Santos voltou a tribuna da Câmara e reconheceu que havia exagerado. Pediu desculpas formais ao secretário de Governo e disse que suas críticas são um 'alerta' para evitar que a Administração de Percival Muniz seja vista como inimiga dos servidores.
Em conversa com a reportagem do Gazeta MT os dois vereadores consideraram a discussão algo 'comum à atividade legislativa'.
Eles não informaram se o assunto será debatido no diretório municipal do PPS, ou se manterão o caso restrito à bancada na Câmara - que, além dos dois, tem ainda os vereadores Fábio Cardozo e Denilson Sodré (Dico).