BICO FECHADO

Em discussão sobre aeroporto municipal, Maggi não se atreveu a comentar

por GazetaMT

15 de Agosto de 2016, 11h05

Em discussão sobre aeroporto municipal, Maggi não se atreveu a comentar
Em discussão sobre aeroporto municipal, Maggi não se atreveu a comentar

Para iniciar esta sessão de Buxixo, uma breve história: Era uma vez um empresário respeitado em Rondonópolis, um dos donos de uma gigante empresa do ramo agrícola, cuja sede se localizava neste município. Certo dia, o bamba se mudou, de mala e cuia, para a capital do Estado. Alegou, na época, que a falta de infraestrutura da cidade dificultava suas atividades, principalmente no tocante ao aeroporto e à necessidade de locomoção por via aérea sentido capital do Estado e demais regiões do Brasil. Se transferiu junto com a tralha e todo o poderio de sua empreitada...

O personagem frente à empresa, conhecido político, hoje é ministro: Blairo Maggi (PP). Na época de transferência, em decisão tomada há dois anos junto sua família também detentora do grupo Amaggi, recém ocupara vaga no Senado Federal.  O ano era 2011 e o ex-governador desbancou o então procurador Pedro Taques (na época pelo PDT) na corrida eleitoral no ano anterior, obtendo exatos 1.073.039 votos (37,08%). Em Rondonópolis, cidade do então candidato, em 2010 Maggi teve apenas mil votos a mais que o atual governador do Estado. Sobre esta informação comentaremos mais tarde, ainda neste texto.

Antes, porém, outro importante ponto na costura: a eleição municipal de 2008. O candidato que Maggi apoiava era o atual deputado Federal Adilton Sachetti (hoje no PSB), que perdeu a eleição para José Carlos do Pátio, atual deputado estadual (hoje no SD). Eis que a dita derrota, atestam muitos rondonopolitanos, deixou Maggi enfurecido. Bem da verdade, já em 2009 "o rei da soja" virou as costas para a sua cidade. Mais tarde, quando eleito senador, exigiu que nenhum aliado seu apoiasse ou permitisse que recursos pedidos por Zé chegassem. Queria ver Rondonópolis parar no tempo. E conseguiu.  

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Pronto, história contada. Podemos voltar aos tempos atuais, do Blairo ministro...

Na última semana, durante o encontro do ministro e demais autoridades do Estado e do Brasil para a discussão junto à Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal, os senadores Wellington Fagundes (PR) e José Medeiros (PSD) citaram a urgência nas obras de melhorias do aeroporto municipal. O discurso foi endossado pela presidente da mesa, a senadora gaúcha Ana Amélia (PP-RS). Disse ela, encampar a luta pelas obras como se fosse deste Estado.

Chegamos onde queríamos: o aeroporto municipal. O espaço é hoje o mais evidente prejuízo rondonopolitano por conta da carência estrutural que perdura. E o que tem a ver com Maggi? Talvez alguma coisa.

Quando cada um dos presentes à mesa se pronunciou sobre as melhorias, o ministro se calou. Não houve pronunciamento e, na opinião desta coluna, nem o caberia. Maggi, há anos, teve por vezes  chance de contribuir para a adequação deste que tem potencial para ser um dos principais aeroportos de Mato Grosso. Nunca, porém, o fez.

Não o fez quando governador, não o fez quando senador, não o fez em absoluta ocasião nenhuma. Quando transferiu a Amaggi para Cuiabá, além do critério político e da birra por conta da eleição de Zé do Pátio, ficou evidente que preferiu correr do que investir. Retirar a empresa e virar as costas para Rondonópolis, na época, lhe foi mais vantajoso que brigar em prol desta importante obra. Seu interesse político prevaleceu em detrimento a uma necessidade coletiva, do povo.

Não à toa, desde então, este município nem de longe o admira. Não o vê, em nenhuma hipótese, com bons olhos. No encontro recente citado acima, coube a Maggi engolir seco.

Ainda nos dias de hoje, sem palavras. Sobre o aeroporto o melhor ao ministro é se manter assim: bico fechado.