crise na pce
Sesp diz que operação na Penitenciária Central tem objetivo de limpar e reformar celas
Anteriormente, a operação tinha sido tratada como sendo para combater regalias de criminosos
15 de Agosto de 2019, 11h00
A Secretaria de Segurança Pública (Sesp) afirmou na manhã dessa quinta-feira (15), em entrevista coletiva com o secretário Alexandre Bustamante, que a Operação Elison Douglas, que vem sendo realizada na Penitenciária Central do Estado (PCE), desde a última segunda-feira (12), tem por objetivo de retirar os presos das celas para que seja feita um limpeza e reforma nas mesmas. Anteriormente, a operação tinha sido tratada como sendo para combater regalias de criminosos como celulares entre outros eletrônicos.
De acordo com o secretário, para que seja realizada a reforma nas celas, foi necessário a retirada dos mesmos das celas e a suspensão das visitas para os mesmos, inclusive de seus advogados. "É uma obra dentro de uma casa que tem 2.400 moradores. A cada visita são cerca de 600 movimentações internas. A média é de cerca de 600 reeducandos que recebem visita. Para cada reeducando que sai da cela, eu tenho que colocar uma escolta da cela até o local da vista. Imagina como vou fazer uma obra em 30 dias se todo dia de visita tiver que tirar reeducando e depois levar (de volta à cela). Eu não vou ter como fazer a reforma", pontuou Bustamante.
Ele argumentou que os presos estão reclamando da retirada de ventiladores e outros equipamentos eletrônicos das celas, mas que isso foi feito como forma de viabilizar a dita reforma nas celas, que não terão mais tomadas de energia elétrica internas, mas que os equipamentos retornarão ao final da reforma, mas somente após a conclusão da obra.
Com relação aos celulares apreendidos no interior das celas, o secretário informou que há uma movimentação nacional no sentido de cobrar das empresas de telefonia móvel o bloqueio dos aparelhos nos presídios, para evitar gastos públicos caríssimos com bloqueadores de sinais dos aparelhos.
Com relação à reação de grupos de criminosos que espalharam áudios pelas mídias sociais a população caso a situação não fosse normalizada, principalmente com o restabelecimento das visitas aos presos, Bustamante foi categórico e afirmou que a sociedade não pode ficar refém dos criminosos. "Não podemos deixar que três milhões de cidadãos (população de Mato Grosso) fiquem reféns de dois mil (presidiários). Não podemos deixar de fazer o que é uma obrigação nossa por medo de represálias. O que nós temos que fazer é o nosso trabalho e confiar na estrutura de segurança no nosso estado. Estamos tratando de qualidade de vida para os presos e isso é bom para eles também", reforçou o secretário.
Ele ainda completou confirmando que as visitas ficarão suspensas na PCE enquanto a obra de reforma não fica pronta, mas a Sesp abrirá para que representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras entidades acompanharem a situação dos presos, denunciando caso vissem algo errado acontecendo no interior do presídio.
A PCE tem capacidade para abrigar cerca de 900 presos, mas a unidade prisional tem hoje um número que passa de 2400 internos, quase o triplo de sua capacidade.