BLINDADO

Planalto confirma que mantém Maggi na Agricultura após ação da PF

Governo quer dar tempo para que o ministro se explique e blindar Temer por tabela

por Robson Morais

15 de Setembro de 2017, 08h22

Planalto confirma que mantém Maggi na Agricultura após ação da PF
Planalto confirma que mantém Maggi na Agricultura após ação da PF

Ao jornal paulista Folha de São Paulo, o Palácio do Planalto informou que optou por "adotar cautela" em relação às acusações e operação da Polícia Federal contra o atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi-PP. A medida, expressa, serve para proteger o presidente Michel Temer-PMDB por tabela.

Segundo a reportagem, o governo quer dar tempo para que o ministro se explique e vai levantar dúvidas sobre a delação premiada que embasou a operação de busca e apreensão em endereços ligados a Blairo nesta quinta-feira, 14. Assessores presidenciais afirmam que não há perspectiva de que o ministro deixe o cargo.

Agindo assim, quem se blinda é o próprio presidente da República. Temer foi novamente denunciado pelo mesmo crime que implica contra Maggi.  O discurso de auxiliares do presidente é de que a atuação de procuradores, delatores e até do Judiciário contra integrantes do governo é questionável e, portanto, não deve haver pré-julgamento enquanto houver pontos não esclarecidos sobre esses processos.

"Veementes indícios"

Ontem, data da operação da PF nas residências de Blairo Maggi em Rondonópolis e Brasília, um malote com um computador foi apreendido. A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal -STF Luiz Fux.

Na 12ª fase da Operação Ararath, a Molebolge, Blairo é acusado de fazer pagamentos ao ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso Eder Moraes para que ele mudasse um depoimento para inocentá-lo em um processo judicial. Segundo o ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), há "veementes indícios" de que o ministro tenha cometido crime de obstrução de Justiça.

As investigações sobre o caso contaram com uma delação premiada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), que sucedeu Maggi na gestão de Mato Grosso.

As acusações formais da PGR têm como bases as delações de executivos da JBS e do corretor de valores Lúcio Funaro. Temer tenta desqualificar esses acordos desde que foram reveladas suspeitas de envolvimento de um procurador com a JBS, no curso das negociações da delação do grupo.