PROTESTO
Caminhoneiros seguem com bloqueio parcial nas rodovias BR-364/163
Manifesto de setor graneleiro continua por tarifação mínima e aguarda diálogo
16 de Janeiro de 2017, 08h08
Continuam parcialmente bloqueadas as rodovias federais que passam por Rondonópolis. Desde a última sexta-feira (13), encabeçados pelo Movimento dos Transportadores de Grãos (MTG), caminhoneiros autônomos, empregados e empresários do ramo de cargas mantém a intervenção parcial nas saídas das rodovias federais BR-364 (saída para Cuiabá) e bifurcação 364/163 (Trevão). O protesto é pacífico e não há a interrupção por completo da pista.
Ao GazetaMT, o diretor executivo da Associação dos Transportadores de Carga do Estado (ATC), Miguel Mendes, confirmou a continuidade da manifestação. "Não houve contato por parte das chamadas tradings (empresas intermediadoras), demais interessadas ou mesmo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Neste momento, o protesto continua", diz.
Também à reportagem, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou tranquilidade no protesto. Desde o início, o movimento foca na conscientização de profissionais caminhoneiros ante a reivindicação da categoria. Carros de passeio e demais veículos não estão impedidos de passar pelos trechos.
Em solicitação enviada pela MTG à PRF, o movimento informa o motivo do manifesto. Pedem a busca por um frete que remunere o transporte de cargas graneleiro em Mato Grosso de modo que cubra os custos do setor. Desde 2015, a categoria luta por melhores condições de trabalho. O setor aguarda a aprovação e regulamentação do Projeto de Lei 528/2015, que cria a Política de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de cargas.
Em dezembro do último ano, o projeto acima foi aprovado por unanimidade pelos deputados federais que compõem a Comissão de Viação e Transporte na Câmara Federal e hoje encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania para análise.
Preço
No tarifação atual, motivo da manifestação, a tonelada da soja entre Sorriso e Rondonópolis sai a cerca de R$ 80, por exemplo, enquanto de Sorriso para Paranaguá (PR) a aproximadamente R$200. O preço, para os profissionais, não vale o trajeto e não cobre os custos dependendo do trecho percorrido. Sem a tarifação mínima, atestam prejuízo.
O setor do transporte de cargas, principalmente de grãos, vem passando por uma crise há três anos aproximadamente, tendo o seu "enterro do segmento" com a quebra da safra 2015/2016, onde somente entre soja e milho foram quase 9 milhões de toneladas a menos produzidas .
Em 2015, os caminhoneiros em Mato Grosso chegaram entre os meses de fevereiro e março a bloquear as principais rotas de escoamento da produção de grãos. Em todo o país foram realizados manifestos em prol de melhores condições de trabalho e um frete que cubra os custos de produção.