PÉROLAS
Temer: De boca fechada, um poeta
16 de Novembro de 2017, 08h43
"Na economia, também a mulher tem grande participação. Ninguém é mais capaz de indicar os desajustes de preço no supermercado do que a mulher. Ninguém é capaz de melhor detectar as flutuações econômicas do que a mulher, pelo orçamento doméstico", disse o presidente da República Michel Temer em março de 2017, em "homenagem" ao Dia Internacional da Mulher. "Acabou sendo uma coisa útil para o Pezão", disse ele mesmo em setembro ao se referir ao câncer diagnosticado no atual governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão.
Só duas das tantas pérolas que acompanham o presidente desde confirmado o golpe, culpa de uma somatória de fatores negativos. Primeiramente... sua relação com seu marqueteiro não parece ser das melhores e um dos dois (ou ambos) está de sacanagem. Ou vem o texto escrito errado ou o orador descarrilha propositadamente. Seja o que for, é sempre desastroso.
Em segundo lugar, em momentos de inspiração para o improviso Temer insiste em parecer menos gélido. É nessas horas que troca real por cruzeiro, rei da Noruega por "da Suécia", russo por soviético e almoça em churrascaria importada em tempos de operação Carne Fraca. Impossível esquecer.
Ontem, 15, feriado da República, ocasião formal, Temer soltou outra pérola. Afirmou que a tendência do povo brasileiro é caminhar para o autoritarismo. "Se nós não prestigiarmos certos princípios constitucionais, a nossa tendência é sempre caminhar para os autoritarismos, para uma certa centralização. Nós temos uma certa, digamos, uma certa tendência para centralização". Argumentou que só houve períodos autoritários porque a população desejou, em referência à era Vargas (1930-1945), incluindo à ditadura do Estado Novo (1937-1945), e também à ditadura militar (1964-85). Foi questionado por jornalistas e esmagado por historiadores.
Hoje, o presidente e seu governo acumulam 97% de rejeição. Um recorde. A missão da equipe de marketing do presidente é reverter o quadro até 2018 e quem sabe chegar a positivos 50%.
Se não tanto, pelo menos um pouco, desde que fique o chefe de boca fechada.