Alto Custo

Custos elevados inibem intenção de confinamento em Mato Grosso

Entre os fatores desfavoráveis, o custo de reposição é apontado como o vilão

por GazetaMT

16 de Dezembro de 2015, 10h22

Custos elevados inibem intenção de confinamento em Mato Grosso
Custos elevados inibem intenção de confinamento em Mato Grosso

Mato Grosso termina o ano de 2015 com 669,893 mil cabeças de gado confinadas. O número representa alta de 5,2% se comparado ao do ano passado, quando foram 636,661 mil animais. O desempenho é bem inferior ao projetado pelos pecuaristas no início do ano, quando eles estimaram aumento de 24% na quantidade de bois enviados para o confinamento. A crise instalada no país, o alto preço da reposição e dos insumos são alguns dos fatores que favoreceram o resultado.

De acordo com a A Gazeta, os dados constam no 3º Levantamento das Intenções de Confinamento em 2015, divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O estudo foi feito em 142 unidades confinadoras, de um total de 222, o que representa uma amostra de 64% do total. Para o gerente de Projetos da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Fábio Silva, a amostra final já era esperada. "É normal o número ser abaixo, pois em abril o produtor começa fazer o planejamento, com pesquisas de preço do boi no mercado futuro, dos insumos, da reposição dos animais". O especialista ainda revela que o crescimento de 5,2% é positivo, depois de 3 anos consecutivos de queda.

Entre os fatores desfavoráveis, o custo de reposição é apontado como o vilão. "O boi magro representa 75% do custo do confinamento e a compra do animal ficou muito cara. Em regiões como no médio-norte, por exemplo, chega a custar até R$ 2 mil". Com menos impacto no custo da produção, outros insumos como milho, farelo de soja e caroço de algodão também contribuíram para este quadro.

Como o mercado carne bovina possui 80% da produção destinada ao consumo interno e uma crise que aponta para uma piora em 2016, a previsão de muitos confinadores não é otimista. "A oferta e a demanda regem o mercado. O consumo em 2015 caiu muito devido à crise. De acordo com cálculos do 1º semente, a oferta reduziu 11% e o consumo 12%", recorda Silva.

Entre os confinadores pessimistas está o presidente da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), Eduardo Alves de Moura. Segundo ele, a situação do mercado pede prudência. "Não tenho nenhuma noção de segurança. Com o dólar em alta, a exportação deve subir, mas a crise piora e existem outras carnes que competem com a bovina. Está difícil fazer uma previsão agora, que começamos com uma safra complicada".