ITINERANTE
Juiz da Vara Criminal inicia Tribunal do Júri nos bairros
Três crimes de homicídio deverão ser julgados hoje, amanhã e dia 21
16 de Fevereiro de 2017, 09h44
O juiz titular da 1ª Vara Criminal de Rondonópolis, Wladmir Perri, deu início ao Tribunal do Júri itinerante que deverá, até o finício da próxima semana semana, julgar casos diretamente nos bairros onde os crimes ocorreram. Três julgamentos deverão ocorrer nos bairros Jardim Rivera, Santa Clara e Parque Universitário, entre hoje, amanhã e dia 21.
O primeiro dos crimes em pauta ocorreu no dia 18 de outubro de 2012 em uma boate da região central. Renato Henrique da Silva Santos, vulgo "rato", segue preso por homicídio. A vítimas eram Wesley Ubiratan Albuquerque dos Santos e Everton Aparecido Moraes da Silva. Outras três pessoas conseguiram escapar.
O segundo caso, com julgamento previsto para amanhã, 17, é sobre o assassinato da confeiteira Rosilene da Silva Sousa, morta a facadas pelo ex-companheiro em julho de 2014. Juraci Carolino Sobrinho, vulgo jurigue, também segue preso. Logo após o crime, o suspeito havia fugido. Foi encontrado já em 2015, na cidade de Jaçanã, Rio Grande do Norte.
No último dia do Tribunal do Júri nos bairros, será julgado outro crime de 2012. Outro assassinato, desta vez, próximo a uma padaria na Vila Olinda. A vítima era Osmair Rocha Correia, morto a tiros por Anderson de Alcântara Dias, companheiro da sobrinha da vítima. O crime foi motivado por ciúmes.
A proposta
Conforme explica o magistrado, a intenção de realizar os júris nas comunidades onde os crimes aconteceram é mostrar para a população que o Poder Judiciário está agindo, está próximo do jurisdicionado, e ainda inibir o aumento da criminalidade por meio da divulgação das penas aplicadas àqueles que cometem crimes contra a vida.
"Aquele cidadão infrator vai pensar duas vezes antes de cometer algum crime porque ele sabe o risco de ser condenado, ele viu seu semelhante ser julgado na comunidade", pontua o juiz.
A ideia surgiu a partir da percepção de Perri quanto ao esvaziamento nas audiências convencionais. Paralelamente a isso, os moradores de comunidades que são palco de homicídios recorrentes desconhecem as penas aplicadas pela Justiça e ficam com a sensação de impunidade quando, na visão do magistrado, "a impunidade que falam do Judiciário não existe, porque a Justiça está sendo feita, estamos dando prestação jurisdicional".
Outro ponto destacado pela iniciativa é possibilitar que a população se sinta mais segura, com o contato direto da Justiça próxima às pessoas. "O magistrado tem que se aproximar do jurisdicionado e da sociedade", ratifica o magistrado.
As sessões do Tribunal do Júri serão realizadas nos dias 16, 17 e 21 de fevereiro. De acordo com o juiz Wladymir Perri, sua intenção é realizar os júris do mês de março da mesma forma e sucessivamente em outros bairros, até que todos os julgamentos dessa natureza sejam realizados nas comunidades e não mais no Fórum.