MOVIMENTO NACIONAL

Trabalhadores rurais do Sul do Estado acompanham protestos contra propostas de Temer na Previdência

Em Brasília, segundo o confederação da categoria, 10 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais ocuparam ministérios

por Robson Morais

16 de Junho de 2016, 09h48

Trabalhadores rurais do Sul do Estado acompanham protestos contra propostas de Temer na Previdência
Trabalhadores rurais do Sul do Estado acompanham protestos contra propostas de Temer na Previdência

Trabalhadores do campo juntos a Sindicatos Rurais de representação nas cidades que compõem a região Sul do Estado se manifestam nesta manhã (15) na sede da Previdência Social em Rondonópolis. O movimento segue a mobilização nacional encabeçada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), contrária à reformulação trabalhista proposta pelo governo do presidente interino Michel Temer.

Nos planos do atual governo, uma alteração na idade e tempo trabalhado para a obtenção do direito à aposentadoria, alvo de críticas e protestos das mais diversas categorias e sindicatos. Em conversa com a reportagem do GazetaMT, o presidente do Sindicato das Agricultores Familiares de Rondonópolis, Valdivino Tomas de Aquino chamou de retrocesso as mudanças do atual governo e destacou prejuízo maior às mulheres do campo. "Por meio de um projeto de Emenda, o governo quer tirar o direito a aposentadoria antecipada dos trabalhadores do campo. Nossa luta é pela manutenção deste direito, já que o trabalho rural é pesado. Nossas mulheres hoje seriam as principais prejudicadas se essa medida não for esquecida", disse.

Representantes sindicais de Dom Aquino, Juscimeira, Jaciara e São Pedro da Ci "No unimos pelo direito à garantia  de nossa aposentadoria. O governo não pode mexer na nossa previdência rural", disse ao GazetaMT o presidente do Sindicato dos Agricultores Familiares de Rondonópolis Valdivino Tomas de Aquino. Foto - Luan Dourado/GazetaMTpa também vieram a Rondonópolis para a manifestação. Não queríamos estar aqui, mas o movimento é necessário. "No unimos pelo direito à garantia  de nossa aposentadoria. O governo não pode mexer na nossa previdência rural", completou Aquino.

Primeiros sinais

Desde que assumida interinamente a posse, a equipe econômica montada por Temer tem dito que uma das prioridades será fazer uma reforma nas regras previdenciárias. Uma demonstração de que mudanças no setor serão um dos focos do presidente em exercício foi a incorporação da Secretaria de Previdência Social ao Ministério da Fazenda. Antes, a área integrava o Ministério do Trabalho.

Recentemente, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defendeu que se estabeleça uma idade mínima para aposentadoria pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). De acordo com Meirelles, a medida é fundamental para garantir o financiamento da Previdência. "Haverá uma idade mínima de aposentadoria. O que precisa é uma determinação de governo. Vamos fazer. E apresentar uma proposta factível para a sociedade. Idade mínima com uma regra de transição," ressaltou o titular da Fazenda.

Movimento nacional

Segundo informado pela assessoria da Contag, cerca de 100 mil trabalhadores da agricultura representados por mais de 4 mil Sindicatos filiados em todo país participam da mobilização nacional "em defesa da democracia, contra a reforma da Previdência Social, contra a extinção dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA) e da Previdência Social, e pela manutenção do Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR)".

Ministérios ocupados

Em Brasília, ainda segundo o Contag, 10 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais ocuparam os dois ministérios. Nos estados, acontecem, simultaneamente, ocupações nas agências e gerências do INSS e em superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).