legislativo
Projeto de resolução que visa antecipar eleição da Mesa Diretora entra em tramitação na Câmara
O documento é assinado por 11 dos 21 vereadores, que querem antecipar as eleições
16 de Julho de 2014, 17h25
O projeto de resolução que visa antecipar a eleição da Mesa Diretora da Câmara foi definitivamente protocolado e já está tramitando pelas comissões do Legislativo. O documento é assinado por 11 dos 21 vereadores, que querem antecipar as eleições e reconduzir o vereador Lourisvaldo Manoel de Oliveira, o Fulô (PMDB), à presidência da Câmara, como forma de protesto pela pouca, ou nenhuma, atenção dada pelo prefeito Percival Muniz (PPS) dispensada á alguns vereadores.
Para o vereador Roni Magnani (PP), um dos que assinou o projeto que pede a antecipação da eleição, atualmente a Câmara tem sido muito submissa aos comandos do prefeito e seu grupo pretende agir de forma 'mais independente' em relação ao Executivo. "Constitucionalmente, os Poderes são independentes e devem agir harmonicamente. Acontece que aqui, há um tempo, nós temos visto que tem faltado aquela marca, aquela identidade de Legislativo independente. Isso é um anseio da sociedade, que a Câmara aja de forma mais independente, exerça de fato sua função fiscalizadora e conta com o engajamento dos vereadores que viam o fortalecimento do nome da Câmara", defendeu.
Segundo Magnani, há pelo menos dois outros vereadores, que fazem parte do grupo mais ligado ao Executivo que já se decidiram por assinar o projeto, mas ele nega que esse seja o esboço da formação de um grupo de oposição à administração municipal. "De forma alguma, até por que o vereador que se preze não pode querer inviabilizar a administração. O que o nosso grupo quer é unir os vereadores em torno da valorização do Legislativo, para ajudar de fato a governar Rondonópolis, mas de forma independente", disse.
Questionado sobre o possível desgaste político que haveria para o atual presidente da Câmara, Ibrahim Zaher (PSD), que é candidato a deputado estadual, Roni mais uma vez negou que esse seja um dos objetivos do grupo e elogiou a gestão do atual presidente do Legislativo. "As contas do Ibrahim foram elogiadas pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), ele é meu amigo pessoal, é amigo dos vereadores e não há retaliação. O próprio Ibrahim é um nome para compor com o grupo e vamos aproveitar muita coisa implementada pela gestão dele na Câmara", concluiu.
Por outro lado, o segundo secretário da Mesa e líder do prefeito na Câmara, Aristóteles Cadidé (PDT), diz entender como 'normal' a movimentação dos vereadores, mas defende que não é o momento para tal discussão. "Independente do que o Executivo queria ou não, há o quórum mínimo para a postulação e eles tem direito de mudar o Regimento (Interno) sim. O projeto tramita normalmente daqui para a frente, mas é pensamento do prefeito de que qualquer alteração tem que ter um motivo plausível e isso nós ainda não vimos, isso ainda não ficou claro. Nós então não temos os votos necessários para impedir a sua tramitação, mas a votação do mesmo é outra história", disse, deixando antever que o chefe do Executivo deve atuar mais fortemente nos bastidores para conter o início de rebelião.
Ainda segundo Cadidé, o grupo governista deve se articular para manter a data original da eleição da Mesa Diretora da Câmara, marcada para 20 de dezembro, mas se a propositura que antecipa as eleições for aprovada, o grupo deve formar chapa e disputar a eleição. "A política é arte de conversar, e conversando, tudo pode mudar", disse, enigmático.
O projeto de resolução 004/2014 deve tramitar pelo prazo regimental de duas sessões, ou duas semanas, antes de ir para a votação em Plenário. Se aprovado, deve ser sancionado e publicado em Diário Oficial, para que altere a redação do Regimento Interno da Câmara. Em seguida, deve ser feita a eleição da nova Mesa Diretora.