LEITOS DE UTIs INSUFICIENTES

Liminar obriga Capital de MS a receber pacientes infectados de Cuiabá

A informação foi divulgada pelo prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), durante uma coletiva de imprensa na manhã de quarta-feira (15)

por Karollen Nadeska, de Cuiabá

16 de Julho de 2020, 15h27

(Foto: Marcos Maluf) - Campo Grande News
(Foto: Marcos Maluf) - Campo Grande News

Uma liminar da Defensoria Pública de Mato Grosso, que foi deferida pela Justiça, obriga a Capital Campo Grande, em Mato Grosso do Sul (MS), a receber pacientes do Estado vizinho, mais especificamente de Cuiabá (MT), para tratamento da Covid-19. A determinação se dá pelo fato de que no município não há leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) suficientes.

Segundo o site Campo Grande News, a informação é do prefeito Marquinhos Trad (PSD), que falou da situação durante uma entrevista coletiva realizada na manhã desta quarta-feira (15).

O gestor citou a liminar ao elogiar os bons índices comparados a de outras capitais brasileiras. Conforme ele, Campo Grande tem hoje 25% de UTIs disponíveis para tratamento de pacientes infectados com a Covid.

 Prefeito Marquinhos Trad (Foto: Marcos Maluf) - Campo Grande News

“Campo Grande recebeu liminar e vai ter que receber pacientes de Cuiabá”, disse.

Ainda de acordo com o portal, o município foi o escolhido por ser o mais próximo e bem equipado. O procurador-geral de Campo Grande, Alexandre Álvaro, afirma que a imposição de decisões da Justiça estadual de Estados vizinhos que ocorre fora da jurisdição, é realizada pela exceção do período do momento de pandemia. "Questões de competência são até irrelevantes nesse caso", comentou.

O caráter liminar ocorre pela urgência de transferir pessoas que dependam de uma vaga de internação para tentar sobreviver ao vírus. “A Defensoria Pública ingressou no Mato Grosso e determinou acolhimento no local mais próximo”, complementa o procurador.

Contudo, ele citou que, neste caso, há levantamento sobre a disponibilidade de leitos para determinar que um local tenha capacidade de absorção. A Prefeitura não irá recorrer, assegurou ele, pela condição essencial de “salvar vidas”.

“A pandemia é uma situação que não tem um modelo anterior e acaba excetuando em várias situações”, explica.

No município campo-grandense, conforme mostrou o Campo Grande News, pacientes de Mato Grosso têm buscado tratamento em leitos privados. Isso ocorre também em Dourados (a 225 km da Capital). Na última semana um paciente de 53 anos, que veio do estado vizinho para ser internado em Campo Grande, faleceu no hospital do Proncor.

Dados oficiais mostram que Campo Grande tem ampliado a sua distribuição de leitos de UTI com o Governo do Estado e já anunciou 37 vagas no Proncor, Clínica Campo Grande e El Kadri. O objetivo é desafogar o Hospital Regional Rosa Pedrossian, a que referência pública para o tratamento contra a doença na Capital. Estima-se que a região de saúde absorva mais de um milhão de pacientes de mais de trinta municípios que procuram hospitais da cidade.

A reportagem entrou em contato com o Judiciário de Mato Grosso e aguarda a íntegra da decisão. O contato de telefone  da assessoria da Defensoria Pública de MT está indisponível.