Sem noção!
Em discurso na Câmara, vereador defende regime militar
16 de Setembro de 2015, 16h53
O vereador Marcelo Marques (PROS), usando das prerrogativas asseguradas pelo regime democrático, usou a Tribuna Livre da Câmara nessa quarta-feira, 16, para elogiar o período em que o último regime militar vigorou no país, nos sofríveis anos de 1964 a 1985, que cassou os direitos políticos e a liberdade dos brasileiros. Em sua fala, o edil enalteceu os militares, afirmando que nesse período, não haveriam problemas de saúde pública, educação e segurança.
A fala de Marques evoluiu para uma defesa da ditadura militar após o vereador criticar a longa fila de espera para a realização de exames de ressonância magnética, que segundo ele, ultrapassaria três mil pessoas, e logo evoluiu para o discurso modinha do momento, que é atribuir todos os males, inclusive a da saúde, que é uma atribuição compartilhada entre o Governo do Estado e a prefeitura, ao Governo Federal.
Sem explicar em que tipo de dados estava se baseando, Marques elogiou a ditadura militar. "O povo tinha acesso à saúde, educação e tinha segurança pública no regime militar. Agora, estamos numa democracia e vemos que está havendo cortes no orçamento da saúde", disse.
Assim que terminou sua fala, Marques foi interpelado pelo vereador Mauro Campos (PT), que lembrou a seu colega que no período que sequer existia o Sistema Único de Saúde (SUS) e que os rincões, como Rondonópolis era na época, tinham pouca ou não tinham nenhuma estrutura pública de saúde e que o quadro, apesar de longe de ser perfeito, foi melhorado e aperfeiçoado nos últimos anos, pós-ditadura.
Apenas para ajudar a elucidar ao vereador, o SUS somente foi constituído em 1990, no lugar do extinto INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social), que atuava oferecendo apenas serviços de prevenção e doenças, como vacinações. A assistência médica existia, mas somente para os que que contribuíam com a previdência social, ou seja, aos empregados com carteira assinada.
O Buxixo se solidariza ao vereador no momento em que ele cobra uma melhor prestação de serviço público, principalmente em relação à saúde, mas é preciso que o nobre edil entenda que tem responsabilidades maiores que um cidadão comum, principalmente no que diz respeito às informações que divulga, pois se as coisas não estão perfeitas na nossa jovem democracia, ao menos podemos criticar os erros dos governos livremente, sem medo de sermos presos, torturados e até mortos.
É importante que os homens públicos se preocupem com a veracidade da informação que divulgam e ajudem a fundamentar a cada dia mais a nossa democracia, que não é perfeita, mas que permite que as pessoas se expressem de forma livre, sem ameaça à sua integridade física.
De qualquer forma, é triste ver uma pessoa usar de seus direitos democráticos para fazer apologia à ditadura, como forma de pressionar por melhorias, quando o correto seria propor soluções...
Pegou mal vereador...