OPINIÃO

Pacote de bondades de Lula: uma afronta ao povo brasileiro. Quem paga essa conta?

por Virginia Mendes

17 de Outubro de 2026, 14h29

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Divulgação

O pacote de bondades prometido pelo governo Lula nos últimos dias levanta uma questão que não pode ser ignorada: até quando o brasileiro será chamado a pagar a conta de decisões que priorizam o efeito imediato em vez de soluções duradouras? Anunciar benefícios é fácil. Difícil é explicar de onde virão os recursos, quais serão as consequências e quem arcará com os custos.

Quando o governo transforma medidas de forte apelo popular em vitrine política, sem esclarecer suficientemente seus impactos e sua sustentabilidade, corre o risco de desrespeitar quem trabalha, empreende e sustenta o país com o pagamento de impostos. É nesse sentido que esse pacote pode ser visto como uma afronta à nação brasileira: não se pode tratar o dinheiro público como instrumento de popularidade, ignorando a responsabilidade com o presente e o futuro do Brasil.

Defender os direitos dos trabalhadores é essencial, mas isso não dispensa uma análise séria dos efeitos econômicos de cada decisão. O aumento dos custos para as empresas, quando não acompanhado de ganhos de produtividade, pode pressionar os preços, dificultar contratações formais e ampliar a informalidade. No fim, a conta pode chegar justamente a quem o governo afirma querer proteger: o trabalhador e o consumidor.

O mesmo questionamento se aplica às propostas de renegociação e descontos de dívidas, à exemplo do perdão da dívida do Microempreendedor Individual (MEI). Ajudar famílias em dificuldade é importante, mas e o pequeno empresário, o MEI e o cidadão que fizeram sacrifícios para honrar seus compromissos? Quem abriu mão de comprar, investiu com cautela e pagou seus boletos em dia também merece respeito. Políticas públicas precisam ter critérios justos, sem transmitir a mensagem de que cumprir obrigações é menos vantajoso do que esperar por uma nova rodada de benefícios.

Há ainda uma questão fundamental: responsabilidade fiscal. O dinheiro público não pertence ao governante de plantão. Pertence à sociedade. Cada benefício precisa ter financiamento claro, metas verificáveis e resultados concretos. Quando essas condições não são observadas, o alívio de hoje pode se transformar em mais pressão sobre os impostos, as contas públicas e o orçamento das próximas gerações.

Também é legítimo questionar a finalidade política de medidas anunciadas com grande apelo popular. Em uma democracia, o governo deve prestar contas de suas escolhas e demonstrar que elas respondem às necessidades reais do país, e não apenas às conveniências do momento. O Brasil não pode ficar preso a um ciclo de promessas, benefícios temporários e problemas estruturais que continuam sem solução.

Nossa população precisa de emprego, renda, segurança econômica e oportunidades para crescer. Precisa de um ambiente favorável ao empreendedorismo, de serviços públicos eficientes e de políticas que permitam às famílias conquistar independência financeira. Isso exige planejamento, seriedade e compromisso com resultados, não apenas anúncios capazes de produzir aplausos imediatos.

Não se trata de negar assistência a quem precisa. Trata-se de exigir que ela seja responsável, transparente e sustentável. Solidariedade sem planejamento pode custar caro; política pública sem responsabilidade pode comprometer o futuro.

A pergunta que Lula precisa responder é simples: quem paga essa conta? O contribuinte que já enfrenta uma carga tributária pesada? O trabalhador que sente o aumento dos preços? O pequeno empreendedor que luta para manter as portas abertas? Ou os brasileiros que ainda nem chegaram ao mercado de trabalho?

Porque o Brasil pertence aos brasileiros, não a projetos políticos. E o futuro de uma nação não pode ser colocado em segundo plano para financiar a popularidade de um governo.

Virginia Mendes é empresária, economista, ex-primeira-dama de Cuiabá e de Mato Grosso e eleita deputada federal.