SAMU vira descaso em Rondonópolis
As ambulâncias estão em situação caótica sem as mínimas condições de uso
17 de Novembro de 2011, 18h33

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Rondonópolis (SAMU), já foi considerado referência nacional, porém, nos últimos anos o quadro mudou e a situação só se agrava. A falta de investimentos, inclusive para a manutenção das unidades móveis, o baixo número do efetivo e o local inadequado das instalações, provocaram a reunião que aconteceu essa semana na Câmara, envolvendo além dos vereadores e profissionais do SAMU os secretários municipal e estadual de saúde. Uma das propostas apresentadas por Pedro Henrry, secretário estadual foi a retirada da Central de Regulação de Rondonópolis. Com a medida todas as chamadas feitas ao 193 devem ser reguladas por Cuiabá.
Hoje a Central que funciona nas instalações do Corpo de Bombeiros, conta apenas com uma linha telefônica para atender as cidades de Rondonópolis, Jaciara e Primavera do Leste, o que tem provocado o congestionamento nas solicitações. De acordo com os profissionais, a estrutura física do local está toda comprometida, os móveis estão danificados, sem contar que não há um local adequado para a esterilização dos equipamentos.
Ainda conforme informações, as ambulâncias estão em situação caótica sem as mínimas condições de uso, contando apenas com duas ambulâncias básicas e uma avançada, quando deveria possuir pelo menos mais duas básicas. Os médicos do SAMU reclamam também do reajuste salarial que está defasado desde 2005.
O comandante da Região Sul do Corpo de Bombeiros, Vanderlei Bonoto, afirmou que possui recurso para fazer ampliação e adequação da Central de Atendimento do SAMU, mas emperra na proposta de desvinculação do SAMU do Corpo de Bombeiros. Segundo o comandante a execução do projeto depende apenas da autorização do prefeito para proceder com a licitação.
O secretário municipal de saúde, Valdecir Feltrin, admitiu tal fato, no entanto, explicou que o prefeito ainda não teria liberado a licitação do projeto devido ao impasse que existe em torno da responsabilidade pela Central de Regulação do SAMU. Segundo o secretário existe um projeto para que o SAMU seja centralizado em Cuiabá, ficando sob a responsabilidade do governo do estado.
- Enquanto isso não for decidido, não podemos correr o risco de fazer um investimento que depois não seria mais utilizado, nosso objetivo é por fim a crise e recuperar a excelência na qualidade do atendimento prestado pelo SAMU- esclareceu Feltrin.
O Sindicato dos Médicos (Sindimed) já solicitou providências do Ministério Público Federal e Estadual e agora apela pela interferência da Câmara Municipal para melhoria das condições de trabalho.
O presidente da Câmara de Vereadores, Ananias Filho, se comprometeu em marcar a reunião entre os profissionais do SAMU e o prefeito José Carlos do Pátio. Ananias afirmou ainda que o SAMU está em situação precária e que falta prioridade em atender essa reivindicação.