Paulo Maluf perde mais uma e deixa Judiciário brasileiro em situação 'difícil'
17 de Novembro de 2012, 10h01
A decisão da Justiça da ilha de Jersey, paraíso fiscal britânico, determinando o repatriamento de US$ 22 milhões de dólares desviados dos cofres públicos pela 'Família Maluf' é uma vitória que merece ser analisada em várias frentes.
Além do benefício óbvio de repatriar uma parte (ínfima, é verdade) do que foi roubado, os juízes britânicos deram uma lição aos seus pares brasileiros e uma injeção de estímulo nos promotores e procuradores que de fato se preocupam com a integridade do patrimônio público e o combate à corrupção.
A sentença só saiu porque, anos atrás, quando Marta Suplicy era prefeita de São Paulo (2001-04), os procuradores paulistanos tiveram a coragem de ir atrás do dinheiro desviado nas gestões malufistas. Gastaram cerca de US$ 1,6 milhão em custos processuais, mas, além dos valores já anunciados, podem resgatar uma fortuna de quase meio bilhão de dólares. Parabéns para eles !
Por outro lado é bom lembrar que Paulo Maluf nunca teve problemas para 'convencer' a Justiça Brasileira de que eram apenas boatos as muitas denúncias de corrupção que acumulou ao longo de sua carreira política.
Agora, diante das sucessivas derrotas de Maluf nos tribunais internacionais, é a nossa Justiça que precisa convencer o povo brasileiro de que não protegeu indevidamente o ex-prefeito e ex-governador de São Paulo.