POPULISTA
Sachetti muda estratégia para juntar os cacos no pós-eleições
17 de Novembro de 2016, 12h13
Passada a disputa eleitoral em Rondonópolis, é chegada a hora de desviar o foco político e o campo de atuação. Mais discreto que nos tempos de urna, o deputado federal Adilton Sachetti (PSB) deixou de lado o fervor das rixas e partiu para causas mais, a depender do momento, populistas.
Em entrevista à Rádio Câmara, Sachetti contrapôs decisão tomada em outubro pelo Superior Tribunal Federal (STF), que considerou ilegal a prática conhecida como vaquejada nos municípios do Estado do Ceará e tende agora a seguir mesmo rumo em todo o Brasil. No dia 6 daquele mês, o órgão máximo derrubou ação movida pela Procuradoria Geral da República (PGR) e tornou, o que para muitos é um esporte, uma atividade ilegal.
O parlamentar é a favor do evento. "Trata-se da cultura popular brasileira. Há um povo que vive no interior do Brasil e tem nessa atividade seu congraçamento", argumenta. No início de novembro, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 24/2016 definiu a vaquejada como manifestação cultural e o argumento passou com aprovação por Comissão no Senado e cabe, ainda, tentativa de Projeto de Emenda à Constituição que derrube a decisão da Corte.
O deputado cita como exemplo cidades conhecidas pela vaquejada em Mato Grosso, como Itiquira. Disserta, ainda, sobre a alegação de maus-tratos aos animais envolvidos. "Hoje existem regras, os animais não são maltratados", afirma. Além do canal de rádio da Casa Legisladora, a entrevista deverá ser divulgada na TV na íntegra no dia 4 de dezembro.
Parte para outro campo o deputado, sem jamais perder a mão (sem alusão à vaquejada alguma) do interesse pessoal. Certo que comerá pelas beiradas nos próximos anos a fim de marcar território. Mostrará a cara em temas com garantia de retorno do eleitorado.
O mesmo fizera quando aceitou e publicamente declarou todo apoio do mundo à gestão do prefeito eleito de Rondonópolis neste 2016, José Carlos do Pátio (SD), adversário ferrenho e de longa data para o qual acumulava derrotas. Esta coluna já se prestou, inclusive, a contabilizar. É como diz o dito: se não pode com ele, junte-se.
Sabe juntar-se o deputado Sachetti, aos adversários na medida em que recompõe seus próprios cacos políticos. No processo atual, quer reconquistar um eleitorado fragmentado por certa desconfiança principalmente em suas mais recentes escolhas enquanto parlamentar. Acusado de rachar grupo e sem dar certeza sobre em qual lado joga.
Cezar Maggi, de Sapezal, que o diga. Mas isso é assunto para outra coluna.