CRITICAS A BOLSONARO

Maggi alerta para riscos de decisões sobre rompimento comercial com China e países árabes

Presidente eleito disse que pretendia transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém e atacou avanço da China em neg

por De Rondonópolis - Robson Morais

17 de Dezembro de 2018, 13h26

Maggi alerta para riscos de decisões sobre rompimento comercial com China e países árabes
Maggi alerta para riscos de decisões sobre rompimento comercial com China e países árabes

Ministro da Agricultura até dia 31 de dezembro de 2018, Blairo Maggi -PP, se pronunciou sobre os primeiros anúncios do presidente eleito, Jair Bolsonaro -PSL, de rompimento comercial com países árabes e com a China. Para ele, as decisões tomadas em razão de disputas geopolíticas, podem ser prejudiciais para o agronegócio brasileiro.

De acordo com o ministro, a manutenção desses mercados deve ser um ponto de atenção do próximo governo. Enquanto isso, Bolsonaro sinaliza abrir caminhos para os Estados Unidos e romper acordos negociados junto aos chineses e árabes. Quando assumiu o Mapa a convite do presidente Michel Temer -MDB, Maggi percorreu justamente o caminho inverso, peregrinando pelo oriente em busca de ampliar os negócios do Brasil.

 "É um ponto de atenção, sim. Não temos essa questão de geopolítica, essa vontade de ser o líder do mundo. Não temos condições de ser o líder do mundo, então porque vamos fazer enfrentamentos nessa ordem?", alertou o ministro, lembrando que quase 50% das exportações brasileiras de frango têm como destino os países do Oriente Médio. "Você perder isso, você criar um ambiente ruim de negócios, significa problemas para nossas empresas, e que vai bater por último lá no campo, nos nossos produtores, então acho muito complicado isso", afirmou.

Futura ministra

O ministro já disse ter dado o recado à futura chefe do Mapa, Tereza Cristina, para manter o trabalho de abertura de novos mercados para os produtos brasileiros. Disse tê-la sugerido, inclusive, que faça viagens a esses países, na tentativa de não minguar as negociações.

"Tem que transmitir a eles que Brasil os quer como nossos parceiros, que somos confiáveis, nós não ficamos disputando hegemonia mundial da economia, da política, de território, de nada. O Brasil é um país que deve seguir o seu ritmo, se transformando no maior produtor agrícola do mundo, de pecuária e que deve garantir a qualidade dessas mercadorias e a frequência dessas mercadorias", disse.

De acordo como ministro, em 2018, as exportações do agronegócio devem ultrapassar a barreira dos US$ 100 bilhões. "Será a primeira vez que o agronegócio vai ultrapassar a barreira dos US$ 100 bilhões. Já exportamos US$ 99 bilhões em 2013".

Guerra comercial

Maggi diss, ainda, que o Brasil está preparado caso o país asiático retire tarifas sobre a soja produzida nos Estados Unidos. A iniciativa seria um aceno chinês em meio a uma trégua na guerra comercial com os Estados Unidos. "Está absolutamente preparado... A retirada do imposto lá pela China para a soja americana não vai influenciar nada. O mercado vai voltar ao patamar que estava antes ou muito próximo", disse Maggi.