OPINIÃO
O papel das indústrias gráficas nas práticas ESG
17 de Março de 2026, 06h10
Na indústria gráfica, a sustentabilidade deixou de ser um extra para se tornar valor de mercado nos últimos anos. De acordo com o relatório Global Printing Trends 2025-2030 da consultoria Smithers, a demanda por soluções de impressão de baixo impacto ambiental deve crescer a uma taxa anual de 7,2% até o final deste ano, impulsionada por consumidores que agora exigem total transparência nos processos. Além disso, dados recentes da McKinsey & Company reforçam que as empresas que integram métricas ESG em suas operações apresentam uma diminuição de custos de até 15% devido à otimização de recursos e redução de desperdícios.
Paralelamente, dados da consultoria Gartner indicam que, para 2026, cerca de 70% das grandes empresas passarão a exigir métricas auditáveis de impacto ambiental de seus fornecedores. Por isso, a adoção dos critérios sustentáveis é a resposta das gráficas modernas para se manterem relevantes em uma economia que prioriza o impacto positivo. Isso significa que a rastreabilidade e o reporte de emissões tornaram-se requisitos de sobrevivência comercial.
Um dos pilares ambientais que tem ganhado destaque é a transformação tecnológica, onde a indústria tem liderado com inovações. Isso se dá por meio da matéria-prima certificada, onde o uso de papéis com selos FSC (Forest Stewardship Council) garante que a fibra provém de manejos que combatem o desmatamento. As tintas sustentáveis também têm ganhado destaque no setor gráfico, uma vez que são feitas à base de soja, vegetais ou cura LED-UV elimina a emissão de Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs). Por sua vez, a gestão de resíduos e economia circular se fazem presentes em gráficas que operam com logística reversa, onde as aparas e chapas de alumínio retornam ao ciclo produtivo, minimizando o envio de rejeitos para aterros.
Contudo, é preciso que o impacto ambiental vá além das máquinas. O "G" do ESG foca nas pessoas e na cultura organizacional, uma tendência que ganha protagonismo em 2026. Assim, a segurança e o bem-estar dos funcionários também se enquadram nas práticas, pois ambientes que eliminam a toxicidade dos solventes melhoram a qualidade de vida do trabalhador. Outro fator que deve ser levado em consideração é a inclusão, e a diversidade, assim como a educação comunitária. Isso porque empresas que promovem equidade de gênero e oportunidades para minorias em cargos técnicos tornam-se mais inovadoras. Além disso, o apoio a projetos de alfabetização e distribuição de material escolar fecha o ciclo de impacto social por meio do produto final.
Quando se fala de governança, a transparência deve ser prioridade, uma vez que assegura que as práticas sustentáveis sejam auditáveis e fujam do greenwashing. Dessa forma, a indústria precisa estar em conformidade com normas como a ISO 14001 demonstra um compromisso sistêmico por meio do compliance e de certificações. Enquanto isso, a rastreabilidade digital permite, por meio da tecnologia, provar ao cliente a origem exata de cada insumo utilizado em seu material. Para manter a ética na cadeia de suprimentos, auditar parceiros pode garantir a inexistência de práticas de trabalho degradantes em toda a cadeia de suprimentos.
Por fim, ao mercado gráfico atual prova que a precisão digital e a essência regenerativa são indissociáveis. Ao unir tecnologia de ponta com uma responsabilidade socioambiental profunda, o setor reafirma que o material impresso, quando produzido sob a ótica da sustentabilidade, é um dos veículos mais poderosos para marcas que desejam comunicar seus valores com autenticidade. Em 2026, imprimir com propósito deixou de ser um diferencial ético para se tornar o único caminho para a sobrevivência no mercado global e o respeito ao equilíbrio do nosso planeta.
* Thiago Leon Marti, é Head de Branding, Design e Comunicação na Printi. É formado em Produção Gráfica e Design Gráfico, com Pós-graduação em Design Gráfico pela Faculdade de Belas Artes da Hungria e também em Design Estratégico e Inovação pelo IED-Brasil. O executivo conta com trajetória multidisciplinar nas áreas de design e experiência no universo do terceiro setor e impacto social, e tem passagens pelo Instituto Máquina do Bem e eduK.