MIGALHA
Fechado com Temer, Garcia ficou de fora da chuva de grana na CCJ
17 de Julho de 2017, 10h24
A base de sustentação ao governo conseguiu barrar, na semana passada, o relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), que recomendava o prosseguimento da denúncia contra o presidente da República Michel Temer -PMDB, com o apoio de 40 deputados.
Para obter êxito, Temer não teve escrúpulo. Literalmente boicotou deputados que pudessem representar ameaça, orquestrou troca de nomes na última hora, e liberou a rodo dinheiro público em forma de Emendas parlamentares. Em linhas gerais, comprou apoio com o dinheiro do povo.
Dos 40 deputados, 38 receberam, em junho, empenho de Emendas. O valor total: R$ 134 milhões às vésperas de uma das votações mais importantes para o Planalto.
Nesta semana, uma análise postada em rede social resumiu bem o enredo: Temer deu um tríplex para cada deputado (ou até mais que isso), mas ninguém, curiosamente, pareceu se importar. Nem o povo, nem a mídia, nem a Justiça.
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Nesta toada, o deputado federal por Mato Grosso, Fábio Garcia -PSB, saiu no prejuízo. Lamentou ter recebido apenas R$ 300 mil em Emenda parlamentar, quando outros do Estado receberam valor bem mais gordo, como Carlos Bezerra -PMDB angariou nada menos que R$4,7 milhões.
E mesmo os R$ 300 mil só saíram após muito esforço do próprio deputado. A informação foi publicada pelo site da capital do Estado, RD News.
Garcia, que contrariou a própria cúpula nacional do partido quando votou favorável à Reforma Trabalhista na Câmara (episódio que lhe custou a destituição do diretório estadual e derrubada da presidência do partido em Mato Grosso), sentiu o gosto da ingratidão.
Mais números
Custou R$ 15,3 bilhões a vitória do governo Temer na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara com o intuito de evitar que a Casa autorize o processo contra o presidente no Supremo. Nos últimos 15 dias, o Planalto empenhou R$ 1,9 bilhão em emendas parlamentares. Na quarta, Temer anunciou R$ 11,7 bilhões em linhas de crédito para obras de infraestrutura e, na quinta, realocou R$ 1,7 bilhão de recursos da Saúde. O destino do dinheiro está nas mãos de parlamentares que votaram a favor do governo e poderão utilizá-lo em suas regiões para ajudar em suas reeleições. (Globo via Meio)